Fronteira da Líbia com o Egito estaria sob controle da oposição

Segundo Liga Líbia de Direitos Humanos, apenas a capital Trípoli e a cidade de Sirte estariam nas mãos do governo

iG São Paulo |

O lado líbio da fronteira com o Egito estaria sob controle de opositores contrários ao líder Muamar Kadafi, armados com cassetetes e fuzis Kalashnikov nesta terça-feira, segundo um correspondente da Reuters no local.

O correspondente que fica na cidade de Musaid, no lado líbio da fronteira, disse que um dos opositores segurava uma foto de Kadafi na qual o líder estava de cabeça para baixo, desfigurado, sob a inscrição "o tirano açougueiro, assassino dos líbios".

Na noite de segunda-feira, as Forças Armadas do Egito disseram que os guardas da fronteira líbia haviam se retirado do local e que o lado líbio da fronteira estava sob o controle de "comitês do povo", sem dar maiores detalhes sobre suas alianças. O Exército egípcio intensificou a presença na fronteira com a Líbia, após a violenta repressão contra as manifestações de oposição a Kadafi. 

Além de Musaid, Trobuk, Benghazi, Misrata, Khoms, Tarhounah, Zeiten, Zaouia, Zouara e al-Zawiyan seriam palcos de intensas manifestações de opositores, que estariam controlando as cidades. Ao iG , a Liga Líbia de Direitos Humanos, que é parte da Federação Internacional pelos Direitos Humanos, disse que apenas a capital Trípoli e Sirte estariam sob controle das forças do governo.

Soldados líbios na cidade de Tobruk disseram não apoiar mais Kadafi e confirmaram que o leste do país está fora do controle do governo. "Todas as regiões do leste estão agora fora do controle de Gaddafi. O povo e o Exército estão lado a lado aqui", disse o ex-major do Exército Hany Saad Marjaa.

AP
Cerca de 5 mil egípcios retornaram da Líbia depois da repressão contra manifestantes opositores a Kadafi
À agência EFE, segundo uma fonte do Conselho Supremo das Forças Armadas egípcias, a passagem fronteiriça de Al Salum está aberta 24 horas para permitir o retorno dos egípcios a seu país.

Além disso, o Exército egípcio enviou à Líbia dois aviões para transferir seus cidadãos e instalou tendas de campanha perto da fronteira para acolher os que chegarem procedentes do país vizinho. As Forças Armadas oferecem ainda meios de transporte aos egípcios que chegam à fronteira para levá-los a diferentes pontos dentro de seu país. 

Forças de segurança líbias vêm reprimindo manifestantes com ferocidade em todo o país. Os combates explodiram no leste produtor de petróleo da Líbia na semana passada, em uma reação a décadas de repressão e após levantes que derrubaram líderes na Tunísia e no Egito, e depois chegaram a Trípoli. A Federação Internacional pelos Direitos Humanos afirmou ainda que o regime de Kadafi estaria recrutando mercenários de páises como Chade, Níger e Zimbábue para enfrentar opositores a seu governo na Líbia.

Falando à Reuters pelo telefone desde a cidade líbia de Al Bayda, um líbio descreveu nesta terça-feira como forças usando aviões e tanques mataram 26 pessoas durante a noite, incluindo seu próprio irmão. “Os líbios estão com medo das próprias sombras," disse Marai Al Mahry, da tribo Ashraf, que identificou seu irmão morto como Ahmed. "Estão nos bombardeando com aviões, estão nos matando com tanques", disse Mahry, chorando incontrolavelmente enquanto apelava por ajuda.

Embaixadores

Em protesto à repressão do governo de Kadafi contra os manifestantes opositores, diplomatas líbios nos Estados Unidos, Indonésia, Índia, China, Áustralia, na Liga Árabe e na ONU renunciaram a seus postos.

Nos Estados Unidos, o diplomata líbio fez duras críticas ao regime de Kadafi. "Como posso apoiar um goveno que mata nosso povo?", questionou Aujali, em entrevista à agência Associated Press. "O que vejo diante de meus olhos é inaceitável."

O embaixador líbio na Indonésia, Salaheddin M. El Bishari, também criticou a repressão. "Os soldados estão matando civis desarmados sem perdão. Estão usando armamento pesado, jatos e mercenários contra a própria população", afirmou, em entrevista ao jornal "Jakarta Post". "Cansei, não vou mais tolerar isso."

Na Malásia, os diplomatas não renunciaram a seus cargos mas manifestaram apoio aos protestos. "Condenamos fortemente esse massacre criminoso e bárbaro de civis inocentes", afirmou a embaixada líbia, em comunicado.

A Embaixada da Líbia no Brasil funciona normalmente, sem alterações de rotina nem orientações. Em Brasília há quase quatro anos, o embaixador líbio, Salem Ezubedi, manteve inalteradas suas atividades sinalizando fidelidade ao governo. 

*Com Reuters

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