França oferece ajuda para retirar brasileiros da Líbia

Ministra diz que governo francês têm autorização para pousar em Trípoli e pode tentar retirar cidadãos do Brasil

iG São Paulo |

A França ofereceu ajuda ao Brasil nesta terça-feira para retirar os cidadãos brasileiros que estão retidos na Líbia em decorrência dos protestos violentos no país contra o governo do líder Muamar Kadafi.

A ministra das Relações Exteriores francesa, Michèle Alliot-Marie, afirmou durante visita à Brasília que duas aeronaves francesas têm autorização para pousar em Trípoli, capital da Líbia, e que podem também retirar cidadãos brasileiros do país.

De acordo com a ministra Alliot-Marie, que fez as declarações em entrevista coletiva ao lado do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, os governos de Brasil e França estudam formas de cooperação para retirar os cidadãos de ambos os países da Líbia.

Cerca de 130 brasileiros estão na cidade de Benghazi, onde na semana passada começaram os protestos contra o governo de Kadafi. Eles aguardam autorização para embarcar num voo fretado pela construtora Queiroz Galvão para levá-los até Trípoli.

O ministro Patriota informou que o governo também estuda a possibilidade de fretar um navio que sairia da Itália para buscar os brasileiros diretamente em Benghazi. Os dois chanceleres reiteraram uma condenação ao uso "inaceitável" da violência por parte das forças de segurança da Líbia contra os manifestantes.

A Queiroz Galvão, que tem contrato para seis projetos de obras de infraestrutura na região de Benghazi, mantém as famílias de brasileiros e também de empregados portugueses na casa do diretor da empresa para o Norte da África, Marcos Jordão. Há várias crianças no grupo. Os funcionários solteiros estão alojados em um hotel próximo.

"Estamos todos bem. Temos suprimentos para mais de cinco dias, mas esperamos uma definição para conseguirmos a retirada entre hoje (terça-feira) e amanhã", afirmou Jordão em entrevista à BBC Brasil por telefone. Segundo ele, os planos de retirada estão sendo coordenados entre a empresa e as Embaixadas do Brasil e de Portugal na Líbia.

Arquivo pessoal
O biológo Roberto e sua filha, Marina, durante visita a Tobruk, na Líbia, no ano passado
O biólogo Roberto Roche Moreira, que está na casa de Jordão com a mulher e dois filhos, disse que a ansiedade de todos é grande.

"Todo mundo aqui está com sua malinha pronta para ir embora", afirmou, acrescentand que todos estão "bens e tranquilos".

"O problema maior é de logística, saber quem vai liberar nossa saída", afirmou, observando que o salvo-conduto para a movimentação do grupo pode ter que ser negociado com os grupos de oposição que teriam tomado conta da cidade.

"Queremos sair o mais rápido possível, mas temos que sair com segurança, com a certeza de que não vamos enfrentar nenhum perigo pelo caminho." Em entrevista ao iG , a filha mais velha de Roberto, Mariana, que vive no Rio de Janeiro, relatou sua preocupação com a segurança do pai. “Há comida, água, vela e fósforo estocados. Mas o que me preocupa é a falta de notícias. Só falo com meu pai pelo celular e está cada vez mais difícil”, afirmou.

Tiros

Segundo Marcos Jordão, o grupo de cerca de 50 pessoas que está fechado em sua casa desde a quarta-feira não chegou a observar a violência decorrente da repressão aos protestos populares.

"Nos primeiros dias, ouvíamos de longe sons de tiros, mas desde sábado à noite não temos ouvido mais nada. A cidade parece estar tranquila agora", diz.

Segundo ele, as informações que o grupo recebe são escassas, por conta do bloqueio à internet e a censura na imprensa local. A única fonte de informação são os canais internacionais da TV por satélite, que não tem sido bloqueada. Os serviços telefônicos também estão prejudicados. Os brasileiros contam que conseguem receber ligações, mas não conseguem ligar para fora.

Jordão foi o único do grupo a deixar a casa para visitar os demais funcionários alojados pela empresa em um hotel próximo. Ele contou ter visto sinais das manifestações nas ruas, como pilhas de lixo e pneus queimados e materiais militares abandonados, mas afirmou não ter visto pessoas protestando nem episódios de violência.

Segundo ele, o comércio para suprimentos, como supermercados, permanecia aberto na cidade. "As informações que temos ainda são desencontradas. Sabemos que houve algo pesado, pela quantidade de tiros que ouvimos, mas cada um diz uma coisa e todos tendem a aumentar um pouco", diz. "Temos procurado ficar distantes desses eventos, sem nos envolver."

A Queiroz Galvão é a única empresa brasileira instalada na região de Benghazi. Outras três companhias do país - Petrobras, Odebrecht e Andrade Gutierrez - mantêm escritórios e funcionários na capital do país, Trípoli.

Com Reuters e BBC

    Leia tudo sobre: brasilfrançalíbiaprotestoskadafimundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG