França e Turquia pedem maior pressão internacional sobre Síria

Pedido é feito enquanto Damasco afirma ter aceitado condicionalmente entrada de observadores para acompanhar plano de paz

iG São Paulo |

A França e a Turquia pediram mais pressão internacional sobre a Síria para acabar com a violenta repressão aos opositores do regime do presidente Bashar al-Assad, enquanto ativistas apontam que as forças de segurança deixaram mais mortos e feridos durante os protestos que acontecem toda sexta-feira, após as orações nas mesquitas.

AP
Chanceler francês, Alain Juppe (esquerda), e seu colega turco Ahmet Davutoglu em coletiva de imprensa em Ancara

O pedido foi feito enquanto a Síria afirmou ter aceitado condicionalmente um plano da Liga Árabe para permitir a entrada no país de observadores para acompanhar a implementação de um plano de paz, verificando se o regime toma medidas para proteger os civis, disse um graduado diplomata árabe nesta sexta-feira.

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O anúncio de Damasco foi feito um dia depois de a Liga Árabe, que suspendeu a Síria da organização, ter imposto ao país um prazo até sábado para cumprir o plano de paz árabe , que implica uma retirada militar de todas as cidades sírias, se quisesse evitar sanções econômicas.

A aparente significativa concessão síria foi subestimada por críticos do regime, que a descreveram apenas como uma tática para tentar diminuir a pressão internacional enquanto mantém a repressão contra o levante. Segundo a ONU, a tentativa de conter a revolta de oito meses já deixou mais de 3,5 mil mortos no país .

Juppé, falando ao lado do chanceler turco, Ahmed Davutoglu, disse que a França estava pronta para trabalhar com a oposição síria e que sanções mais duras eram necessárias. Ele também disse ser contra qualquer intervenção unilateral na Síria, mas deixou a porta aberta para uma ação mais ampla, afirmando que qualquer movimento nesse sentido deve ter mandato da ONU.

Davutoglu, por sua vez, alertou sobre o perigo de uma guerra civil na Síria. "Os desertores do Exército sírio estão se mobilizando e, portanto, há um risco de evolução para uma guerra civil", disse o representante turco.

"No momento é difícil falar de guerra civil, porque em uma guerra civil combatem duas partes. Nesse caso, são quase sempre civis que são atacados pelas forças de segurança. Mas existe o perigo de que isso se transforme em guerra civil", explicou.

Os confrontos entre desertores do Exército e as Forças Armadas sírias são cada vez mais intensos em várias regiões do país. Pela primeira vez desde o início dos protestos, um centro de serviços de informação aérea, na entrada de Damasco, foi atacado na quarta-feira com foguetes por soldados dissidentes. O líder dos desertores, o coronel Riad al-Assad, está refugiado na Turquia.

O chenceler russo, Sergei Lavrov, comparou o ataque a uma situação de guerra civil , e foi criticado pelos EUA, que afirmam se tratar de um caso de repressão de um governo sobre o povo.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, pediu nesta sexta moderação e prudência aos líderes internacionais sobre a Síria. "Pedimos moderação e prudência, é a nossa posição", afirmou, em coletiva em Moscou.

A França, o Reino Unido e a Alemanha planejam pedir ao comitê de direitos humanos da Assembleia Geral da ONU que aprove uma resolução condenando a violência na Síria, antes de levarem essa proposta à votação na plenária da entidade.

No mês passado, a Rússia e a China vetaram uma resolução elaborada pelos países ocidentais para a adoção de medidas contra a Síria.

Violência

Mais de 370 pessoas foram mortas na Síria, incluindo civis, desertores do exército e forças leais a Assad, desde que o país aceitou os termos do acordo proposto pela Liga Árabe , no início deste mês.

A Síria argumenta que tenta impor o acordo, mas pediu aos países vizinhos que façam mais para conter o fluxo de armas que chega à oposição e acabar com o que eles alegam ser uma campanha da mídia de incitamento contra as autoridades sírias.

Nesta sexta, as forças sírias atiraram contra os manifestantes para dispersar o grupo. De acordo com ativistas, a ação deixou pelo menos nove mortos, incluindo uma criança. Segundo a televisão estatal, três membros das forças de segurança foram mortos em um ataque em Hama.

Como em toda sexta-feira, os manifestantes partiram das mesquitas em várias cidades, apesar da presença militar, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) e os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que organizam a contestação.

De acordo com o OSDH e o LCC, dois manifestantes foram mortos em Homs, trêsincluindo uma criança, perderam a vida em Deraa, três outras na região de Damasco e uma oitava em Hama.

Com AFP, EFE, Reuters e BBC

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