França e Itália enviarão 'conselheiros' militares para a Líbia

Governos dos dois países se juntam à Grã-Bretanha, que terá presença militar no país sem participar de combates

iG São Paulo |

Os governos de França e Itália anunciaram nesta quarta-feira que vão enviar militares para a Líbia, unindo-se à Grã-Bretanha , que fez anúncio similar na véspera. O grupo francês terá a missão de "organizar a proteção da população civil" em meio aos confrontos entre rebeldes e forças leais ao líder Muamar Kadafi, enquanto os italianos oferecerão treinamento militar à oposição.

Segundo o porta-voz do governo francês, François Baroin, será enviado para Benghazi um "pequeno número" de oficiais de ligação, como são chamados funcionários que atuam para melhorar a comunicação e a coordenação entre duas organizações.

No caso, esse grupo de militares fará uma ponte entre os rebeldes líbios e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que há cerca de um mês mantém uma ofensiva contra Kadafi. "Alguns oficiais de ligação estarão do lado do Conselho Nacional de Transição Interino (grupo formado pelos rebeldes) para tentar organizar a proteção dos civis", afirmou Baroin.

AP
Homem passa por caricaturas de Kadafi em muro de Benghazi (19/04)

A França disse que não enviará tropas de combate para a Líbia, mas sugeriu que a medida seja estudada pela Organização das Nações Unidas (ONU). "É uma questão real que merece a reflexão internacional", afirmou o ministro francês da Defesa, Gerard Longuet.

O ministro italiano da Defesa, Ignazio La Russa, afirmou que dez instrutores militares irão treinar os rebeldes, mas não deu detalhes sobre a missão. La Russa também reforçou que a Itália não participará dos combates em terra.

Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, disse que um grupo de no máximo 20 militares britânicos será enviado a Benghazi, principal reduto dos rebeldes na Líbia, mas não participará de nenhum tipo de combate. Hague também reforçou que a Grã-Bretanha não fornecerá armas aos combatentes líbios.

"Eles vão aconselhar o Conselho Nacional de Transição Interino a melhorar sua estrutura, comunicação e logística, inclusive quanto à melhor forma de distribuir ajuda humanitária e assistência médica", afirmou Hague.

O anúncio provocou críticas do ministro líbio das Relações Exteriores, Abdul Ati al-Obeidi. Em entrevista à rede britânica BBC, ele disse que a decisão pode diminuir as chances de um fim pacífico para o conflito.

"Acreditamos que qualquer tipo de presença militar é uma passo para trás e temos certeza de que se esse bombardeio acabasse, se houvesse um cessar-fogo real, poderíamos ter um diálogo entre todos os líbios sobre o que eles querem: democracia, reforma política, Constituição, eleição", afirmou Obeidi. "Isso não pode ser feito do jeito que as coisas estão agora."

Combates

A Líbia enfrenta um levante que já dura dois meses. Rebeldes baseados na cidade de Benghazi querem colocar um fim aos 42 anos de coronel Kadafi no poder. Após a queda dos líderes da Tunísia e Egito, a revolta na Líbia se transformou em um conflito armado, com rebeldes enfrentando forças pró-Kadafi em uma luta pelo controle de territórios.

A cidade de Misrata, o último reduto dos rebeldes no oeste, vem enfrentando semanas de bombardeio pesado. A Otan, a aliança militar ocidental, está no comando do fechamento do espaço aéreo no país e as operações da coalizão tem ficado limitadas principalmente a ataques aéreos.

Em março, a ONU aprovou uma resolução que autoriza "todas as medidas necessárias a não ser a ocupação" para proteger civis.

O general Mark Van Uhm, chefe das operações aliadas, disse que as operações da Otan destruíram mais de um terço dos equipamentos militares de Kadafi, mas que a situação em terra continua inconstante e muda diariamente.

Com BBC e AP

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