Ministro francês diz que aliança militar ocidental não faz "o suficiente" para proteger a população do país

A França e a Grã-Bretanha pediram nesta terça-feira que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) intensifique os ataques contra as forças do líder líbio, Muamar Kadafi. O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, disse que a aliança militar ocidental não faz "o suficiente" para proteger os civis líbios.

Em declarações à rádio France-Info antes de um encontro de da União Europeia em Luxemburgo, o ministro disse que a Otan precisa "cumprir totalmente" o seu papel no combate ao regime de Kadafi.

Rebelde segura munição para metralhadora na entrada da cidade de Adjabiya, na Líbia
AFP
Rebelde segura munição para metralhadora na entrada da cidade de Adjabiya, na Líbia

"A Otan quis tomar o comando militar das operações. Nós o aceitamos e (a organização) precisa cumprir o seu papel já, ou seja, impedir que Kadafi utilize armas pesadas para bombardear a população", disse Juppé. Questionado se a aliança não está cumprindo este papel atualmente, Juppé, disse que "não suficientemente". "E vamos levantar essa questão em Luxemburgo."

Em linha com as declarações do ministro francês, o chanceler britânico também defendeu nesta terça-feira que a comunidade internacional "mantenha e intensifique" a pressão sobre Kadafi através da Otan. O ministro das Relações Exteriores, William Hague, disse que nas últimas semanas as forças britânicas forneceram mais aeronaves para atacar alvos no chão e pediu que "outros países também façam o mesmo".

A Otan se recusou a suspender os bombardeios às forças de Kadafi mesmo depois que o governo anunciou ter concordado com uma proposta de cessar-fogo da União Africana (UA). A promessa de Kadafi foi considerada um blefe e o plano da UA foi rejeitado pelo conselho de rebeldes que se opõem ao regime.

O plano rejeitado pela oposição previa "a interrupção imediata das hostilidades; a cooperação das autoridades líbias para facilitar a assistência humanitária para a população necessitada; a proteção de migrantes; diálogo entre as partes e estabelecimento de um período de transição, com vistas a adotar as reformas políticas necessárias para acabar com a atual crise".

Apesar de o governo líbio ter supostamente concordado com a proposta, há relatos de que o regime continua empregando armamentos pesados para bombardear os opositores na cidade de Misrata, no oeste do país, e os temores são de que as ações façam vítimas entre a população civil.

Enquanto os combates prosseguem, o ex-ministro líbio das Relações Exteriores, Moussa Koussa, que está na Grã-Bretanha, alertou para a possibilidade de a Líbia entrar em uma espiral de "guerra civil" e se tornar um "estado falido", a exemplo da Somália.

Em um comunicado feito à BBC - a primeira manifestação pública desde que fugiu da Líbia e pediu abrigo em território britânico - o ex-ministro de Kadafi defendeu uma solução que mantenha o país "unido".

"Peço a todos que evitem levar a Líbia para uma guerra civil. Isso levaria a um grande derramamento de sangue e a Líbia poderia se tornar uma nova Somália", disse. "Mais que isso, nos recusamos a dividir a Líbia. A unidade da Líbia é essencial para qualquer solução de conflito."

Moussa Koussa, que trabalhou 30 anos para Kadafi, disse que renunciou ao cargo porque "as coisas mudaram e eu não podia continuar" no governo.

Com BBC

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