França confirma envio de armas a rebeldes líbios

Decisão de governo francês teria sido tomada sem consulta a outros parceiros da Otan e deve atrair críticas de Rússia e China

iG São Paulo |

AP
Presidente francês, Nicolas Sarkozy (à esq.), cumprimenta Mahmoud Jebril Elwarfally, presidente do Executivo do conselho de transição nacional da Líbia, em Paris
A França confirmou nesta quarta-feira que, no início deste mês, lançou com paraquedas armas aos rebeldes que combatem as forças do líder líbio, Muamar Kadafi, nas Montanhas Ocidentais da Líbia. A informação havia sido primeiramente divulgada pelo jornal francês Le Figaro, que afirmou que o objetivo da medida era ajudar os rebeldes em seu avanço para a capital do país, Trípoli.

"Começamos enviando ajuda humanitária: alimentos, água e medicamentos", disse o coronel Thierry Burkhard, porta-voz militar francês. "Durante a operação, a situação para os civis em campo piorou. Enviamos armas e meios de autodefesa, principalmente munição", disse. 

De acordo com o governo da França teriam sido enviadas por aviões cerca de 40 toneladas de armas para os rebeldes que lutam contra o regime de Kadafi. 

Citando fontes não-identificadas, o Le Figaro afirmou que a França lançou de paraquedas na região de Jebel Nafusa "grandes quantidades" de armas, incluindo lançadores de foguetes, rifles de assalto, metralhadoras e mísseis antitanque. Segundo o Ministério da Defesa francês, também teriam sido enviados aos rebeldes alguns tanques leves por via terrestre, através da fronteira líbia com a Tunísia.

A decisão de enviar armas sem consultar os parceiros da Otan (Organização do Atlântico Norte) ocorreu "porque não havia outra forma de proceder", disse ao Le Figaro uma fonte de alto escalão.

A rebelião contra os 41 anos de regime de Kadafi fez apenas ligeiros progressos desde que começou a receber apoio dos bombardeios aéreos da Otan , há três meses, mas agora os revoltosos dizem se aproximar da capital.

No domingo, os rebeldes das Montanhas Ocidentais, que ficam a sudoeste de Trípoli, obtiveram sua maior vitória das últimas semanas, quando chegaram à localidade de Bir al-Ghanam , onde agora enfrentam as tropas governistas. Na terça-feira, os rebeldes tomaram um importante depósito de munições em uma área desértica, a 25 km de Zenten, ao sudoeste de Trípoli.

Mapa

O Le Figaro disse ter tido acesso a um mapa confidencial, com selo dos serviços de inteligência franceses, mostrando várias áreas nas montanhas sob comando dos rebeldes para onde armas poderiam ser enviadas.

Falando a jornalistas na terça-feira após uma reunião do presidente francês, Nicolas Sarkozy, com o líder rebelde Mahmoud Jebril Elwarfally, o porta-voz Mahmoud Shammam disse que seu grupo não havia solicitado mais assistência militar. "Estamos obtendo nossos meios (militares) de outros lugares", disse o líbio, sem detalhar. Os rebeldes dizem que também têm recebido armas do Catar, especialmente em Benghazi, seu reduto opositor, no leste da Líbia.

Sarkozy mantém uma estreita relação com os rebeldes líbios desde que aviões franceses começaram a bombardear a Líbia cumprindo um mandato da ONU para proteger os civis locais. Embora descarte uma intervenção terrestre, Sarkozy já havia prometido anteriormente intensificar os bombardeios aéreos. No começo de junho, helicópteros franceses e britânicos se envolveram em operações destinadas a tornar mais precisos os bombardeios da Otan contra alvos do governo líbio.

A declaração sobre o envio de armas aos rebeldes provavelmente atrairá mais críticas da Rússia e China, que acreditam que a Otan e seus aliados ultrapassaram o que estabelece a resolução da ONU que autoriza uma ação militar internacional no país.

*Com Reuters, BBC e AFP

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