França alerta que "vitória não está completa" na Líbia

Ministro das Relações Exteriores do país afirmou que o regime está "à beira do afundamento", mas que a Otan precisa ficar alerta com os focos de resistência

EFE | 23/08/2011 05:55

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O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, advertiu nesta terça-feira que "a vitória não está completa" ainda na Líbia, e considerou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve permanecer alerta.

"Já disse ontem que a vitória não está completa. O regime está à beira do afundamento, mas ainda há focos de resistência. É preciso manter a pressão. A Otan deve permanecer alerta para chegar até o fim desta operação", assinalou o chefe da diplomacia francesa à rádio "Europe 1".

Foto: AFP Ampliar

Ministro francês Alain Juppé fala durante entrevista a uma rádio

O chanceler francês lembrou que os rebeldes controlam "quase a totalidade" do território líbio e "uma grande parte" de Trípoli, onde a população não se levantou em armas para defender o coronel Muamar Kadafi, tal como o líder chegou a convocar. Juppé afirmou que manteve nesta segunda-feira uma teleconferência com os demais países aliados, na qual decidiram manter o alerta das forças desdobradas na operação contra as forças do regime líbio.

O ministro francês considerou que "a França teve um papel determinante" na operação, tanto "no plano político como no militar", no qual, junto com os britânicos, forneceram "entre 75% e 80%" dos meios mobilizados pela aliança atlântica.

Ele lembrou que não houve desdobramento terrestre no país norte-africano, com exceção dos instrutores, "que permitiram controlar e formar as tropas" do Comitê Nacional de Transição (CNT) - órgão político dos rebeldes líbios.

"Continuo dizendo que nos mantivemos no marco das resoluções permanentes do Conselho de Segurança (da ONU)", assegurou Juppé, em resposta às críticas de alguns países que consideraram que a Otan ultrapassou o mandato autorizado pelas Nações Unidas.

O ministro mostrou seu desejo de que a operação militar acabe o mais rápido possível para que comece a reconstrução da Líbia. "Nossa preocupação agora é preparar a paz", disse Juppé, que destacou que a França propôs acolher na próxima semana um encontro do grupo de contato para a Líbia.

Kadafi e seus filhos devem ser julgados em Haia, diz Itália

O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, afirmou que tanto o líder líbio Muamar Kadafi como seus filhos serão capturados em breve e que espera que eles sejam entregues ao Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia para serem julgados por crimes contra a humanidade.

"Espero que o Conselho Nacional de Transição (órgão político dos rebeldes líbios) os entregue ao Tribunal de Haia, mas isso não exclui que outros líderes líbios sejam julgados por tribunais nacionais", destacou Frattini em discurso num programa de rádio italiano. O presidente do Conselho de Transição Líbio (CNT), Mustafa Abdul Jalil, afirmou que os familiares de Kadafi não serão entregue ao TPI, onde alguns deles são acusados de crimes contra a humanidade.

Frattini voltou a reiterar que o ex-primeiro-ministro do regime líbio Abdessalam Jalloud, que fugiu para a Itália no fim de semana e declarou apoio aos rebeldes, "possui ótimos atributos para ser um dos protagonistas da transição na Líbia, pois teve no país um papel equilibrado e não se manchou de crimes de sangue". O ministro também antecipou que nesta quarta-feira, provavelmente em Milão, haverá um encontro entre o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, e o presidente do comitê executivo do CNT, Mahmoud Jibril.

<span>Rebeldes se abraçam em antiga base militar em Trípoli (22/08)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Rebeldes apontam armas para foto de Kadafi em Trípoli (22/08)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Rebeldes líbios destroem bandeira da era Kadafi em Trípoli (22/08)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Rebeldes se abraçam na capital da Líbia (22/08)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Rebeldes montam guarda nas ruas de Trípoli (22/08)</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Rebeldes pisam em foto de Kadafi em posto de controle no distrito de Qarqash, em Trípoli (22/08)</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Rebeldes pisam em foto de Kadafi no distrito de Qarqarsh, em Trípoli (22/08)</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Moradores cumprimentam rebeldes nos arredores de Trípoli (22/08)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>População celebra em Benghazi, reduto opositor no leste do país, avanço rebelde em Trípoli na madrugada de 22/08</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>População celebra em Benghazi, reduto opositor no leste do país, avanço rebelde em Trípoli na madrugada de 22/08</span> - <strong>Foto: AP</strong>

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