Forças sírias retomam ataques em Hama após dia de violência

Tanques e soldados voltam a invadir cidade após violenta operação que deixou dezenas de mortos no domingo

iG São Paulo |

Reuters
Imagem de vídeo que diz mostrar homem sendo levado ao hospital após ataque do Exército em Hama (31/07)
Forças de segurança da Síria retomaram nesta segunda-feira ataques na cidade de Hama, no segundo dia consecutivo de repressão a protestos contra o governo de Bashar Al-Assad.

Ao menos quatro pessoas teriam morrido em um bairro na região noroeste da cidade, segundo ativistas de direitos humanos.

Os ataques se seguem a um dos dias mais violentos desde o início dos protestos contra o governo, em março. Segundo testemunhas e ativistas, dezenas de pessoas foram mortas no domingo por forças sírias, a maioria em Hama.

O número exato de mortes é incerto, dada a proibição que o governo sírio impõe ao trabalho da imprensa estrangeira. Segundo a Associated Press, os ataques de domingo teriam deixado pelo menos 74 mortos. De acordo com a BBC, são cerca de 130 vítimas em todo o país.

Hama ainda parece estar sob controle de seus próprios moradores, e não do governo. Tanques e tropas que tentaram assumir o controle da cidade no domingo se retiraram para a periferia da cidade durante a noite, mas começaram a avançar novamente na manhã desta segunda-feira.

A campanha do governo de Assad para tentar sufocar os protestos na Síria deixam o governo sob fortíssima pressão internacional, com condenações vindas de todos os lados.

No domingo, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que as informações vindas da Síria eram " horríveis ". "Mais uma vez, o presidente (Bashar Al-Assad) mostrou que é completamente incapaz e não quer atender às queixas do povo sírio", afirmou.

Obama disse ter ficado consternado e horrorizado com o uso de "violência e brutalidade contra seu próprio povo" por parte do governo sírio, e acrescentou que os EUA continuarão a trabalhar para isolar o governo de Assad.

Sanções

A União Europeia (UE) ampliou suas sanções contra a Síria nesta segunda-feira. Cinco autoridades militares e do governo foram incluídas na lista de alvos de sanções da UE, que passa a ter um total de 35 nomes. Esses individúos tiveram seus bens congelados e estão proibidos de viajar para os países do bloco europeu.

A chanceler da UE, Catherine Ashton, condenou a violência de domingo em Hama. "Quero lembrar as autoridades da Síria sobre sua responsabilidade em proteger a população", afirmou. "A violência brutal cria sérios riscos de uma escalada de tensão e divisões que não são consistentes com reformas amplas."

Esse é o quarto pacote de sanções adotado pela UE contra a Síria em resposta aos ataques contra a população. O bloco vai divulgar os nomes das autoridades incluídas na lista de sanções na terça-feira.

Depois de Itália e Alemanha pedirem uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para adotar uma posição firme contra a Síria, o órgão anunciou que se reunirá a portas fechadas no início da noite desta segunda-feira (por volta das 18h de Brasília). Grã-Bretanha e França também condenaram a reação violenta do governo sírio. O governo da Turquia, por sua vez, afirmou que o mundo muçulmano está profundamente decepcionado pela violência crescente no país.

Os confrontos foram mais violentos de domingo aconteceram em Hama. Segundo testemunhas, tanques dispararam contra civis na cidade, que é palco de alguns dos maiores protestos contra Assad.

A cidade esteve cercada pelo Exército durante o último mês. O governo informou que os soldados foram enviados no domingo à cidade para retirar barricadas colocadas nas ruas pelos manifestantes.

Líder oposicionista

Também nesta segunda-feira, agentes sírios detiveram e posteriormente soltaram o líder oposicionista Riad Seif, impedindo-o de embarcar para a Alemanha, onde pretendia tratar um câncer de próstata.

De acordo com opositores, o incidente aconteceu no aeroporto de Damasco, minutos antes do embarque de Seif e sua esposa, que é alemã, em um voo da Austrian Airways. O casal foi liberado duas horas depois, quando o voo já havia partido.

Uma proibição oficial para que Seif viajasse foi suspensa há alguns dias. O oposicionista de 60 anos, crítico severo do regime autoritário em vigor na Síria, passou duas semanas detido em maio por participar de uma passeata em Damasco. Em 2010, ele foi solto da cadeia após passar oito anos como preso político.

Com BBC e AP

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