Forças sírias matam dezenas em Homs, onde governo semearia conflito sectário

Segundo ativistas e testemunhas, forças leais a Assad deixaram cerca de 50 mortos na cidade e estimularam diferenças religiosas

iG São Paulo |

Forças de segurança sírias abriram fogo contra manifestantes durante uma procissão que acompanhava um funeral nesta terça-feira, matando ao menos 10 pessoas em Homs, que tem sido palco de violentos confrontos entre forças leais ao presidente Bashar al-Assad e opositores.

AP
Foto fornecida por agência oficial síria mostra policiais carregando caixões de oficiais que teriam sido mortos durante choques em protestos em Homs, na Síria (18/7)
De acordo com testemunhas e ativistas de direitos humanos ouvidos pela Associated Press (AP), dezenas de pessoas – possivelmente 50 – foram mortas em Homs desde sábado. As informações, no entanto, não puderam ser confirmadas de forma independente.

“Nós não dormimos desde ontem”, disse um morador da cidade à AP. “Estou deitado no chão enquanto falo com você. Outros estão escondidos nos banheiros”. Ele acrescentou ainda que atiradores de elite foram posicionados em telhados no alto das casas, para que pudessem ter uma visão ampla dos manifestantes durante os distúrbios. 

Confrontos sem precedentes entre opositores e partidários do regime tomaram a cidade de maioria sunita, onde coabitam a comunidade alauita - ramo do xiismo à qual pertence Bashar al-Assad - e a cristã, de acordo com o chefe do Observatório sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

"Partidários do regime atacaram bairros onde vivem opositores sunitas. Atacaram e saquearam as lojas", explicou um morador de Homs que não quis se identificar. Militantes de direitos humanos acusam o regime de "estimular as diferenças religiosas".

De acordo com Ammar Qorabi, chefe da Organização Nacional dos Direitos Humanos, "autoridades sírias continuam as operações militares e de segurança em Homs, depois de ter fracassado em sua tentativa de semear diferenças religiosas na cidade, graças ao bom senso dos habitantes de todas as religiões".

Estratégia

Abdel Rahman acusou aos partidários do governo de terem adotado a mesma estratégia nas cidades costeiras de Lataquia, Jableh e Banias, que apresentam diversidade religiosa.

A comunidade alauita, que desde 1970 tem o controle dos principais cargos do poder, conta com cerca de 2 milhões de fiéis na Síria, ou seja, mais ou menos 10% da população, instalados sobretudo no norte do país.

Os cristãos representam 7,5% da população do país e estabeleceram relações relativamente harmoniosas tanto com alauitas quanto com sunitas, que são majoritários na Síria.

Homs é um de repressão das forças de segurança sírias há dois meses, quando o governo enviou o Exército para tentar esmagar manifestações que exigem a saída de Assad, que está no poder desde julho de 2000.

De acordo com ativistas, a repressão do governo aos protestos deixou cerca de 1,6 mil mortos, a maioria sendo manifestantes desarmados. O governo contesta o número e culpa gangues e conspiradores estrangeiros pelo banho de sangue, afirmando que buscam semear uma guerra sectária no país.

*Com AP e AFP

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