Forças sírias fazem dezenas de prisões em Homs e Baniyas

Repressão contra oposição nas cidades ocorre paralelamente a ações do Exército no subúrbio de Muadhamiya, na capital Damasco

iG São Paulo |

Forças de segurança sírias prenderam dezenas de pessoas nesta segunda-feira em Homs e Baniyas,  duas cidades que vêm sendo palco de protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad, cujo regime vem enviando tropas para esmagar uma revolta que teve início há sete semanas contra seu governo autoritário.

AP
Foto tirada por ativista mostra protesto contra o governo na cidade de Homs, na Síria (7/5/2011)
"A repressão continuou hoje em toda a Síria, aumentando o número de detentos, que já chega a milhares", disse um porta-voz do Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Também nesta segunda-feira, o Exército cercou um subúrbio de Muadhamiya , na capital Damasco, em meio à intensificação dos protestos contra o governo. Segundo testemunhas, foram ouvidos tiroteios na região e cortinas de fumaça preta podiam ser vistas sobre a área.

A turbulência na Síria começou em 18 de março, quando manifestantes, inspirados pelos levantes ocorridos em diversos países do mundo árabe, promoveram uma marcha na cidade de Deraa, no sul do país. Inicialmente Assad acenou com vagas promessas de reforma e, no mês passado, ele revogou o estado de emergência que vigorava no país havia 48 anos.

Com a continuação dos protestos, ele enviou o Exército para sufocar a oppsição pública, primeiro para Deraa e depois para outras cidades, deixando claro que não arriscaria perder o controle estreito que sua família exerce sobre a Síria há 41 anos.

Mortos

Segundo o Observatório Sírio, 621 civis e 120 soldados e agentes de segurança foram mortos desde que os protestos começaram. Outro grupo sírio de defesa dos direitos humanos, Sawasiah, avalia em mais de 800 o número de civis mortos. Na semana passada um diplomata ocidental estimou que cerca de 7 mil pessoas foram detidas.

Até o início do levante, Assad vinha emergindo de um período de isolamento imposto pelo Ocidente em função do apoio sírio aos grupos militantes, como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas, além de sua aliança informal com o Irã contra Israel. Os Estados Unidos acusam a Síria de autorizar a entrada de militantes no Iraque para apoiar a insurgência contra forças americanas e iraquianas no país.

Sanções

No mês passado Washington anunciou novas sanções contra figuras sírias, e na semana passada a União Europeia concordou em congelar bens e impor restrições de viagem a até 14 autoridades sírias que seriam responsáveis pela repressão. Analistas, no entanto, acreditam que é pouco provável que as sanções, por si só, impeçam as autoridades sírias de recorrer à força.

Os manifestantes reivindicam liberdades políticas, o fim da corrupção e a saída de Assad, negando a afirmação deste de que eles fariam parte de uma conspiração estrangeira determinada a provocar violência sectária.

As autoridades sírias atribuem os quase dois meses de protestos a "grupos armados" que, segundo elas, estariam operando em Deraa, Banias, Homs e outras partes do país.

*Com Reuters e BBC

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