Forças sírias atiram contra multidão e matam em funeral de líder curdo

Cerca de 50 mil pessoas participavam de enterro de líder curdo. Manifestações no país exigem queda do regime de Bashar al-Assad

AFP |

As forças de segurança sírias dispararam no sábado (8) contra uma multidão de 50 mil pessoas que participava do funeral do líder curdo Mechaal Tamo, assassinado na véspera em Qamichli, nordeste da Síria, deixando pelo menos dois mortos e vários feridos. Outras oito pessoas perderam a vida na repressão das forças da segurança do regime em outras partes do país. As informações são do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Leia também: Síria adotará "medidas severas" contra quem reconhecer opositor CNS

Um primeiro comunicado do órgão fazia menção a quatro mortos, mas este número foi revisado para dois em uma segunda nota. Segundo o OSDH, "o funeral de Mechaal Tamo se transformou em uma manifestação de 50.000 pessoas que exigiam a queda do regime" do presidente Bashar al-Assad. As forças de ordem abriram fogo, deixando dois mortos e vários feridos, acrescentou o OSDH, com sede no Reino Unido.

Líder curdo

O importante líder curdo, Tamo, de 23 anos, havia se juntado ao Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão opositora. Ele foi assassinado, na sexta-feira (7), por homens armados a bordo de um veículo quando estava diante da casa de um amigo, em Qamichli, segundo militantes. Seu filho Marcel, gravemente ferido no ataque, foi hospitalizado. A agência oficial síria Sana afirmou que o líder foi morto por "homens armados em um carro preto, que atiraram contra o veículo".

Fundador da Corrente do Futuro, partido curdo liberal, Tamo foi libertado recentemente depois de ter ficado na prisão durante três anos e meio. Ele rejeitou as propostas de diálogo apresentadas pelas autoridades aos partidos curdos. Os Comitês de Coordenação Locais (LCC), que reúnem manifestantes pró-democracia, acusaram no sábado as autoridades de querer "liquidar fisicamente" as principais figuras da oposição.

"O regime realiza liquidações físicas para combater a revolução, aproveitando-se da inércia da comunidade internacional que leva muito tempo para tomar as medidas (adequadas) frente aos crimes cometidos contra o povo sírio", afirmaram os LCC. Em um comunicado, a chefe da diplomacia europeia Catherine Ashton condenou "com a maior firmeza" este assassinato, "assim como todos os atos que incitam os conflitos interétnicos e interconfessionais" na Síria.

Na sexta-feira à noite, a Casa Branca já havia condenado com veemência o assassinato de Tamo, pedindo ao presidente Assad que deixe o poder "agora".

    Leia tudo sobre: mundo árabesíriamanifestaçõesBashar Al-Assad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG