Forças sírias atacam refúgio de soldados desertores

Tanques e helicópteros atiraram contra a cidade de Rastan, reduto de militares que romperam com governo de Assad

iG São Paulo |

Forças sírias amparadas por tanques e helicópteros atacaram na terça-feira a cidade de Rastan, no centro do país, um reduto de soldados desertores que pegaram em armas para tentar derrubar o presidente Bashar al-Assad, segundo testemunhos de moradores.

Dezenas de veículos blindados entraram na cidade de cerca de 40 mil habitantes, que fica junto à rodovia que dá acesso à Turquia, perto da cidade de Homs. Durante a madrugada, a cidade já havia recebido rajadas de metralhadoras disparadas de tanques e helicópteros.

AP
Loja vende cartaz com a foto do presidente sírio Bashar al-Assad com a legenda: "Nós te amamos", na cidade de Damasco

"Os tanques se aproximaram de Rastan durante a noite, e o som das metralhadoras e explosões tem sido incessante. Eles finalmente entraram hoje de manhã", disse o morador Abu Qassem.

Centenas de soldados que rejeitaram ordens para disparar contra manifestantes formaram em Rastan o Batalhão Khaled Bin al Walid, assim chamado em homenagem ao conquistador árabe da síria. O coronel Riad al Assad, mais graduado desertor, está ativo nessa região.

Os soldados rebeldes já atacaram ônibus militares e barreiras rodoviárias controladas por soldados e milicianos pró-Assad. A região da cidade de Homs e a vizinha província de Idlib, na fronteira da Turquia, tornaram-se focos de resistência armada ao governo, embora a maior parte dos militares, comandados por oficiais ligados à seita alauíta, a mesma de Assad, continue leal ao presidente.

Um vídeo postado por ativistas supostamente mostra um capitão do exército sírio, rodeado de companheiros, anunciando sua deserção. "Nós prometemos a eles que a cidade de Rastan será o seu túmulo", afirma o capitão Youssef Hammoud para a câmera. "Prometemos grandes surpresas", alerta.

A ONU diz que mais de 2,7 mil sírios já foram mortos na repressão aos protestos desde março, inclusive cem crianças. O governo diz que a violência é cometida por gangues armadas patrocinadas por potências estrangeiras, e que 700 soldados e policiais já foram mortos.

A resistência armada dos soldados amotinados desagrada muitos manifestantes que esperavam manter o caráter pacífico do movimento, na crença de que isso esvaziaria as justificativas do governo para a repressão.

Não ficou imediatamente claro qual parcela de Rastan está sob controle das forças governistas, já que os tiroteios prosseguem. "Faz dois dias que não podemos sair de casa, e não temos ideia das baixas", disse outro morador de Rastan.

Ativistas do Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres, dizem que mais de 20 pessoas ficaram feridas, mas que os combates impedem o acesso ao hospital. Eles reportam também, segundo a Associated Press, que as operações na região noroeste de Jabal al-Zawiya deixaram pelo menos dois mortos. Depois, de acordo com o mesmo grupo, a ofensiva do exército na cidade de Homs, no centro, deixou seis mortos.

A AFP informou que além de Homs e Jabal al-Zawiya, na cidade de Tafas, na província de Deraa, ao sul, um civil foi morto, segundo divulgou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Outros cinco ficaram feridos no local.

Em discurso na segunda-feira à ONU, o chanceler sírio, Walid al Moualem, pediu o fim da "intervenção estrangeira" que, segundo ele, estaria por trás das manifestações contra Assad, cuja família governa a Síria há 41 anos.

Com Reuters, AP e AFP

    Leia tudo sobre: síriaassadmortesoldadorastanmundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG