Forças sírias atacam cidade apesar de acordo com Liga Árabe

Governo da Síria tinha concordado em retirar militares das ruas e iniciar diálogo com a oposição

iG São Paulo |

Reuters
O presidente sírio, Bashar al-Assad, durante encontro com o premiê do Catar, Hamad bin Jassim Bin Jabr Al-Thani
As forças de segurança da Síria lançaram um ataque contra a cidade de Homs nesta quinta-feira, mesmo após ter anunciado um acordo com a Liga Árabe no qual concordava em retirar os militares das ruas do país.

Segundo testemunhas, tanques invadiram a cidade e soldados atiraram com metralhadoras, deixando ao menos 20 mortos.

Homs é palco de alguns dos maiores protestos contra o regime de Bashar Al-Assad, que começaram há oito meses. Segundo a ONU, a repressão aos manifestantes desde o início da revolta deixou mais de 3 mil mortos.

O ataque desta quinta-feira põe em dúvida o acordo anunciado pela Liga Árabe, segundo o qual Damasco concordava em acabar com a repressão aos manifestantes, libertar prisioneiros políticos e iniciar um diálogo com a oposição em até duas semanas.

A Síria também tinha concordado em permitir a entrada de jornalistas, grupos de direitos humanos e representantes da Liga Árabe para monitorar a situação no país.

Os países árabes fizeram a proposta ao ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moallem, no domingo, em uma reunião em Doha, no Catar.

Najib al-Ghadban, um ativista da oposição síria, disse que o acordo foi apenas uma tentativa de Assad de ganhar tempo. “Este regime é famoso por fazer manobras e promessas que não cumpre”, opinou.

Assad disse no domingo a uma TV russa que aceita cooperar com a oposição, mas em outra entrevista alertou às potências ocidentais que elas causarão um "terremoto" no Oriente Médio caso intervenham na Síria, como querem muitos manifestantes.

A Síria, disse Assad falando metaforicamente, "está em uma falha geológica, e se vocês mexerem com o chão, vão causar um terremoto. Vocês querem ver outro Afeganistão, ou dezenas de Afeganistões?"

O governo sírio diz que os distúrbios são causados por militantes armados e financiados por governos estrangeiros, e que 1,1 mil soldados e policiais já foram mortos.

No início de outubro, a China e a Rússia vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenaria a resposta do governo da Síria aos protestos, pedindo um imediato fim da repressão aos opositores e ameaçando o país com sanções.

Com AP e AFP

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