Forças pró-Kadafi trocam tiros com tropas do governo interino em Trípoli

Esse é o primeiro conflito armado na capital da Líbia desde a tomada rebelde em agosto; batalhas seguem em Sirte, reduto de Kadafi

iG São Paulo |

Centenas de membros das forças do Conselho Nacional de Transição (CNT), o governo interino da Líbia, trocaram tiros com os partidários de Muamar Kadafi nesta sexta-feira em Trípoli, capital do país. Os choques começaram depois que leais ao líder deposto no distrito de Abu Salim tentaram hastear novamente a bandeira verde na cidade, que simboliza o antigo regime.

AFP
Combatentes do Conselho Nacional de Transição combatem partidários de Kadafi em Trípoli, capital da Líbia

De acordo com a BBC, essa é o primeiro confronto armado em Trípoli desde a tomada da cidade pelas forças dos então rebeldes em agosto. Ainda não há informações de mortos e feridos. A violência na capital desta sexta denota a dificuldade enfrentada pelos novos governantes da Líbia em restaurar a ordem, enquanto os partidários de Kadafi continuam em ação.

Uma testemunha afirmou que os tiros começaram depois que dezenas de homens e mulheres tentaram hastear a bandeira verde no fim de uma rua no distrito Hay Nasr. "Eu olhei da minha janela e vi homens e mulheres, um grupo de 50 a 80 pessoas, carregando bandeiras verdes", disse Abadi Omar, um residente. "Eles colocaram uma das bandeiras no fim da rua. Daí os rebeldes apareceram e esse grupo sumiu."

As forças de transição começaram a procurar em cada prédio no local e encontraram armas em alguns telhados, muitas delas escondidas sob caixas d'água, segundo Omar. Então, atiradores abriram fogo e a luta começou.

Kadafi, que está foragido, divulgou uma série de mensagens de áudio e em uma delas pedia que os líbios fossem às ruas para derrubar o governo de transição que, segundo ele, é ilegítimo.

Os partidários do líder deposto continuam no controle de partes da cidade de Sirte e do enclave de Bani Walid, no deserto. Os combatentes do CNT em Sirte atacaram dois bairros com foguetes e morteiros nesta sexta e também sofreram perdas. O novo governo insiste que Sirte irá ser completamente tomada em qualquer momento, e eles esperam declarar a lberação ainda essa semana. Isso permitiria a eles nomear um novo governo interino e estabelecer um cronograma para as eleições dentro de oito meses.

Mas as forças de Kadafi têm se provado resistentes, apesar dos ataques aéreos promovidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os ex-rebeldes controlam grande parte da cidade da costa da Líbia, depois de ter realizado um avanço maciço na semana passada, mas ainda se encontram sob pressão, por conta dos atiradores posicionados em telhados do local.

Centenas de civis deixaram Sirte para tentar escapar da violência. Um residente retornou ao local na sexta para recolher itens pessoais de sua casa, que tem sido usada como fortaleza por combatentes pró-Kadafi. O proprietário da residência, que preferiu manter o anonimato por medo de represálias, deixou a cidade levando apenas um cobertor, dizendo: "as imagens falam por si só".

Condições das prisões

Até 7 mil prisioneiros estão sendo mantidos em dezenas de casas de detenção na Líbia e há várias acusações de que o novo governo do país comete torturas contra presos, disse a ONU nesta sexta.

O CNT não tem um sistema claro de triagem e registro dos detentos, o que facilita os maus tratos, segundo Mona Rishmawi, alta funcionária do órgão de direitos humanos da ONU, que passou uma semana na Líbia.

Entre os presos, há detidos sem documentos em barreiras rodoviárias, supostos mercenários de várias regiões, combatentes leais ao deposto regime capturados nos campos de batalha, ou indivíduos que simplesmente apareciam em listas de pessoas a serem detidas, segundo ela.

"Há milhares de pessoas detidas, estamos falando em um grande número. Podem ser até 7 mil", disse Rishmawi, chefe do departamento que analisa questões relativas ao estado de direito.

Ao todo, acredita-se que haja 67 prisões improvisadas na Líbia, ao passo que o regime de Kadafi tinha poucas penitenciárias de grande porte, segundo ela. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) já visitou pelo menos 40 instalações carcerárias líbias, mas suas conclusões serão apresentadas apenas às autoridades relevantes, disse um porta-voz da entidade nesta sexta-feira à Reuters.

Na quinta-feira, a Anistia Internacional divulgou um relatório no qual ressalta evidências de tortura provocadas contra prisioneiros, além de detenções arbitrárias.

Com AP, BBC e Reuters

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