Forças pró-Kadafi expulsam rebeldes de cidade estratégica

Em meio à vitória em Ras Lanuf, filho de Kadafi afirma que Líbia prepara ação militar em larga escala para reprimir rebelião

iG São Paulo |

Forças leais a Muamar Kadafi retomaram nesta quinta-feira a cidade estratégia de Ras Lanuf depois de uma ofensiva por terra, ar e mar, disseram líderes da oposição e rebeldes, uma derrota que fez vários opositores fugirem ao longo da estrada costeira e expôs uma mudança estratégica no levante que estremeceu as quatro décadas de governo do líder líbio.

A perda da cidade portuária, importante para a indústria de petróleo líbia, foi confirmada no mesmo dia em que Saif al-Islam, filho mais notório do líder Muamar Kadafi, advertiu que a Líbia está se preparando para uma ação militar em larga escala para reprimir a rebelião e não se entregará mesmo se as potências do Ocidente intervierem no conflito. "Chegou a hora da libertação. Chegou a hora da ação. Estamos nos mexendo", disse à Reuters em entrevista em inglês.

Segundo a TV estatal líbia, os rebeldes líbios deixaram a cidade portuária, importante para a indústria de petróleo líbia, que vinha sendo alvo de pesados bombardeios das forças de Kadafi nos últimos dias. Há relatos de que os rebeldes que estavam em Ras Lanuf estão se dirigindo para o leste, em direção ao coração da região controlada por eles.

A TV estatal afirma também que os opositores do regime foram expulsos da cidade portuária de Sidra, a oeste de Ras Lanuf. Ataques aéreos também teriam ocorrido na cidade portuária de Brega, a leste. Nos últimos dias, forças leais a Kadafi vêm recuperando locais que caíram nas mãos de opositores a leste e oeste de Trípoli - onde o principal palco de batalhas nos últimos dias foi a cidade de Zawiyah.

Segundo testemunhas em Ras Lanuf, há dezenas de mortos e as forças leais a Khadafi avançam com tanques. "Kadafi nos ataca com aviões, tanques, foguetes e artilharia pesada. Somos civis desarmados, e várias famílias e crianças foram atingidas", disse uma testemunha à BBC.

Há informações de que muitos feridos na frente de batalha na região de Ras Lanuf têm sido levados para cidade de Benghazi, epicentro dos protestos e reduto rebelde no leste da Líbia.

Ameaça do filho de Kadafi

Ao ser questionado se o governo estava se preparando para ampliar sua campanha militar, o filho de Kadafi disse à Reuters: "O momento é agora. É o momento para agir... Demos a eles duas semanas (para negociações)."

Usando uma linguagem incomum, Saif disse que a Líbia derrotará os rebeldes, mesmo com a intervenção de países ocidentais. "Jamais desistiremos. Jamais nos entregaremos. Esse é o nosso país. Lutamos aqui na Líbia", disse Saif, educado em Londres e descrito como a figura líbia mais aberta ao Ocidente.

"O povo líbio nunca abrirá as portas para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), jamais receberemos os americanos aqui. A Líbia não é um pedaço de bolo." Saif al-Islam descreveu os rebeldes determinados a derrubar Gaddafi, há 41 anos poder, como terroristas e bandidos armados e disse que milhares de líbios se voluntariaram para lutar contra eles.

Pressão externa

Os temores de que forças de Kadafi estão revertendo a vantagem inicial dos rebeldes fizeram aumentar os apelos por uma intervenção internacional. Nesta quinta-feira, a Otan concordou em ampliar sua presença marítima no Mediterrâneo para aumentar o bloqueio marítimo ao regime de Kadafi. A Otan, porém, deixou claro que não usará a força na Líbia sem um mandato das Nações Unidas e respaldo dos países da região.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse nesta quinta-feira que o conflito na Líbia escalou para uma guerra civil , e a população civil está sofrendo as consequências do aumento da violência na região.

AP
Filho de Muamar Kadafi, Saif al-Islam, gesticula enquanto fala a partidários e à imprensa em Trípoli
Os EUA indicaram nesta quinta-feira que não consideram mais Kadafi líder legítimo da Líbia ao suspender as relações com sua embaixada em Washington e ao encarregar a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de se reunir com a oposição líbia .

"Estamos suspendendo nossas relações com a embaixada líbia atual, de modo que esperamos deles que encerrem suas atividades (nos EUA)", disse Hillary em uma audiência da Comissão de Dotações Orçamentárias da Câmara dos Representantes.

Nesta quinta-feira, Hillary anunciou que viajará para Egito e Tunísia e se reunirá com a oposição líbia. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, informou que ela viajará de 14 a 15 de março a Paris, onde participará de reuniões do G8, e depois visitará, de 15 a 17 de março, Egito e Tunísia.

Mais cedo, a França expressou sua desaprovação com a repressão do regime aos civis e reconheceu a liderança rebelde da Líbia - o Conselho Nacional Líbio (CNL) - como governo legítimo do país . Foi o primeiro país a reconhecer o CNL, que reúne vários grupos de oposição ao regime de Kadafi.

O governo francês informou que enviará em breve um embaixador a Benghazi. A decisão foi anunciada em Paris pelo gabinete do presidente Nicolas Sarkozy, um dia depois de deputados do Parlamento Europeu terem exortado a União Europeia (UE) a reconhecer os rebeldes.

*Com BBC, Reuters, New York Times e EFE

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