Forças líbias avançam sobre últimos redutos pró-Kadafi

Ações militares contra os últimos bastiões fieis a líder deposto são lançadas enquanto líderes estrangeiros visitam país

iG São Paulo |

Combatentes leais ao governo interino da Líbia mantiveram nesta sexta-feira o avanço sobre a cidade-natal do ex-líder Muamar Kadafi , Sirte, e entraram na cidade de Bani Walid, localizada em meio ao deserto e um dos últimos redutos do regime deposto, onde encontraram forte resistência. As ações militares contra os últimos bastiões fieis a Kadafi foram lançadas em meio à visita de líderes estrangeiros ao país.

AFP
Premiê turco, Recep Tayyip Erdogan (E), caminha perto de Mustafa Abdel Jalil (D), líder do Conselho Nacional de Transição líbio, após chegar em Trípoli
Um dia depois da visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e do primeiro-ministro britânico, David Cameron , o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, chegou ao país para se reunir com os novos líderes líbios na capital, Trípoli. As visitas são uma mostra do apoio da comunidade internacional para que o governo provisório consolide sua legitimidade e comece a reconstrução apesar dos contínuos combates entre partidários de Kadafi, que permanece foragido.

O primeiro-ministro turco chegou procedente da Tunísia , país onde começou a chamada Primavera Árabe , em dezembro. Erdogan, que na primeira etapa da viagem foi recebido como herói no Egito , tem de grande popularidad no mundo árabe.

O giro de Erdogan ocorre enquanto seus laços antes fortes com Israel estão estremecidos pelo fato de o Estado judeu se recusar a pedir desculpas pela morte de oito ativistas turcos e um turco-americano durante uma ofensiva isralense contra um navio com ajuda humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza em maio de 2010. O incidente da flotilha e o desejo da Turquia de ampliar sua influência no Oriente Médio e no mundo árabe poderiam afetar dramaticamente a dinâmica de poder na região desde os levantes árabes.

Na quinta-feira, o Reino Unido apresentou uma resolução pedindo a liberação dos ativos da Líbia e o fim do embargo de armas impostos pelo Conselho de Segurança da ONU (CS/ ONU) ao antigo regime líbio. A resolução foi aprovada nesta sexta-feira e estabelecerá também uma missão da ONU para ajudar o governo interino da Líbia a organizar eleições e redigir uma nova Constituição, informaram diplomatas.

Além disso, nesta sexta-feira a Assembleia Geral da ONU aprovou uma solicitação do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes da Líbia, para considerar os seus enviados como os únicos representantes líbios na organização. Na prática, a ONU reconhece o governo interino da Líbia .

O Brasil votou favoravelmente à medida, apesar de ainda não ter reconhecido oficialmente o CNT como governo legítimo líbio. O ministro das Relações Exteriores do País, Antonio Patriota, disse em várias ocasiões que o governo brasileiro aguardaria a posição da ONU para definir sobre o CNT.

Após negociações entre os 15 membros do CS/ ONU, disposições foram agregadas ao projeto original, dando ênfase aos direitos humanos, à necessidade de envolver as mulheres na tomada de decisões e à proteção dos imigrantes africanos que são alvo de ataques no país.

Avanço militar

Dezenas de caminhões com metralhadoras e também quatro tanques foram vistos na estrada de acesso a Sirte. Segundo a emissora de TV árabe Al-Jazira, as forças do CNT tomaram o controle do aeroporto de Sirte. Ao mesmo tempo, combatentes do novo governo travavam um feroz combate contra seguidores de Kadafi na cidade de Bani Walid.

AP
Combatente da Líbia comemora em Bani Walid, onde opositores de Muamar Kadafi entraram nesta sexta-feira
De acordo com Mahmud Shammam, porta-voz do CNT, as tropas opositoras a Kadafi entraram em Bani Walid, localizada a 170 km ao sudeste de Trípoli. Sem dar detalhes de como foi a ação, Shammam afirmou que "a situação será resolvida esta noite".

Enquanto os rebeldes continuam avançando em terra, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) manteve seu bombardeio aos alvos de Kadafi.

*Com Reuters, AP, EFE e AFP

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