Forças leais a Kadafi atacam Benghazi, bastião rebelde da Líbia

Ataques na segunda maior cidade começaram na noite desta quinta, antes de Conselho de Segurança aprovar zona de exclusão aérea

iG São Paulo |

Forças leais ao líder líbio, Muamar Kadafi, começaram a atacar nesta quinta-feira à noite Benghazi, epicentro da resistência opositora e segunda maior cidade do país.

As forças leais ao líder líbio bombardearam o aeroporto local, enquanto bombardeios menores foram ouvidos na cidade que possui cerca de 1 milhão de habitantes.

As autoridades líbias haviam anunciado nesta quinta-feira uma ofensiva "a partir desta noite" contra Benghazi, bastião dos insurgentes no leste do país, e ameaçaram atacar o tráfego aéreo e marítimo civil e militar no Mediterrâneo, antes de o Conselho de Segurança da ONU aprovar a zona de exclusão aérea na Líbia, medida considerada intervenção contra as forças de Kadafi.

AFP
Rebeldes se preparam para ataque de forças leais a Kadafi em Banghazi, na Líbia
"A decisão foi tomada. Preparem-se, nós chegaremos a partir desta noite", declarou o líder líbio Muamar Kadhafi nesta quinta-feira em uma emissão sonora dirigida aos habitantes de Benghazi e retransmitida pela televisão líbia. "É preciso terminar com essa farsa. Aquele que entregar sua arma e fugir não será perturbado. Nós não o perseguiremos", garantiu.

Benghazi, segunda maior cidade do país situada a mil quilômetros a leste de Trípoli, é a sede do Conselho Nacional de Transição, instância criada pelos insurgentes. O comando rebelde de Benghazi convocou nesta quinta-feira os insurgentes a guarnecer as baterias de artilharia e mísseis para defender o principal feudo da oposição ao regime de Kadafi.

Em Nova York, o Conselho de Segurança votou a favor da implementação de uma zona de exclusão aérea, dentro de um projeto de resolução estipulando que os Estados-membros da ONU poderão "tomar qualquer medida necessária para proteger os civis na Líbia".

Em Benghazi, no momento do anúncio sobre a resolução do Conselho de Segurança, opositores celebraram com fogos verdes de vermelhos, em alusão à bandeira do país antes de Kadafi assumir o poder, segundo televisionou a rede de TV árabe Al-Jazeera. Em Tobruk, a leste de Benghazi, rebeldes atiraram para o alto para celebrar a votação a favor da internvenção militar na Líbia.

Mais cedo, um porta-voz do Ministério líbio da Defesa citado pela agência oficial Jana havia informado que qualquer operação militar estrangeira iria "expor todo o tráfego aéreo e marítimo no Mediterrâneo ao perigo". "Qualquer elemento móvel civil ou militar será alvo de um contra-ataque líbio", acrescentou.

O Exército havia anunciado mais cedo a paralisação de suas "operações militares contra os grupos terroristas armados a partir de domingo 0h (19h, horário de Brasília) para dar uma oportunidade (aos insurgentes) de deixar as armas e se beneficiar de uma anistia geral", segundo a agência.

Território

As forças leais ao coronel Kadhafi reconquistaram territórios no leste do país que estavam nas mãos de insurgentes nos últimos dias.

No oeste, rebeldes se preparam nesta quinta-feira para receber ofensiva das forças governamentais em Zenten (145 km ao sudoeste de Trípoli), segundo testemunhas.

Enquanto isso, a capital Trípoli se esforça para retomar à normalidade após a terrível repressão às manifestações de fevereiro. As crianças voltaram às escolas e lojas, cafés e bancos estão abertos novamente.

Com a aprovação da resolução sobre a zona de exclusão aérea na Líbia, mais ataques são esperados para ocorrer na madrugada de quinta para sexta-feira, informaram fontes próximas ao caso e diplomatas franceses.

*Com Reuters e AFP

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