Forças do Iêmen reprimem protestos em segundo dia de violência

Operação que inclui franco-atiradores deixou pelo menos 31 mortos, incluindo um bebê de dez meses

iG São Paulo |

Forças de segurança do Iêmen atiraram contra manifestantes na capital, Sanaa, no segundo dia consecutivo de violência. De acordo com ativistas e fontes médicas ouvidos pela CNN, os confrontos deixaram pelo menos 31 mortos, sendo 28 em Sanaa, e três em Taiz. Segundo a AFP, foram 27 em Sanaa e quatro em Taiz. Com isso, o número de mortos passou os 50 em apenas dois dias.

AP
Manifestante mostra mãos sujas de sangue durante protesto em Sanaa, no Iêmen (18/09)

Em Sanaa, franco-atiradores leais ao governo dispararam de cima de telhados contra uma multidão de manifestantes que exigia a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh. Um bebê de dez meses teria sido morto por um dos disparos.

Feridos foram levados às pressas em motos para um hospital improvisado na "Praça da Mudança" (nome escolhido pelos manifestantes). Alguns dos hospitais do país ficaram lotados no fim de semana, com pacientes sendo atendidos no chão.

No domingo, confrontos deixaram pelo menos 26 mortos em Sanaa. A polícia usou metralhadoras e artilharia antiaérea para dispersar dezenas de milhares de manifestantes que se dirigiam para o palácio presidencial. Bombas de gás lacrimogêneo também foram usadas

Em discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra nesta segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores do Iêmen, Abubakr Abdullah Al-Qirbi, disse que o “derramamento de sangue” será investigado.

"O governo do Iêmen expressa sua angústia e condena todos os atos de violência e derramamento de sangue como aqueles testemunhados em Sanaa. O governo irá investigar e responsabilizar aqueles encarregados por esses atos”, afirmou.

O presidente do Iêmen vem resistindo à pressão internacional para que renuncie, apesar dos oito meses de protestos realizados em todo o país. Atualmente Saleh passa por tratamento na Arábia Saudita, depois de ter ficado gravemente ferido em um ataque a bomba contra o complexo presidencial em junho.

A oposição teme que a última medida tomada pelo presidente, de permitir que seu vice-presidente negocie a transição, seja somente mais uma tentativa de Saleh para ganhar tempo.

Com Reuters, AP e BBC

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