Forças de segurança síria abrem fogo contra manifestantes

Milhares voltam às ruas em várias cidades do país; segundo ativistas, repressão deixa ao menos 30 mortos

iG São Paulo |

Forças de segurança da Síria abriram fogo contra manifestantes que voltaram às ruas em todo o país nesta sexta-feira para protestar contra o governo, em mais um sinal de que o conflito poderia estar evoluindo para um impasse longo e sangrento enquanto o presidente Bashar al-Assad desconsidera sanções mais duras e pedidos de renúncia dos EUA. Segundo ativistas, ao menos 30 manifestantes morreram, incluindo um menino de 10 anos, na repressão desta sexta-feira.

Há uma semana, o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas disse que o número de mortos na Síria pode chegar a 850 e milhares de manifestantes têm sido presos durante a repressão militar de dois meses.

AP
Soldados do Exército sírio são vistos na vila de Arida, perto da cidade de Talkalakh, que fica na fronteira com o Líbano
O número de mortos desta sexta-feira foi relatado à Associated Press pelo ativista de direitos humanos Mustafa Osso. O número se refere a seis mortes em Homs, incluindo o menino; seis na vila sulista de Sanamein; duas no subúrbio de Daraya, na capital de Damasco, e três na cidade oriental de Boukamal, perto da fronteira com o Iraque.

Convocados pela oposição, milhares de manifestantes saíram às ruas na cidade de Albukamal, Alep, Banias, Damasco, Deraa, Hama, Homs, Latakia e Sanamein. Muitos participaram das passeatas carregando um ramo de oliveira, enquanto outros caminhavam sem camisa, para assinalar o caráter pacífico do protesto.

Em Alep, segunda maior cidade do país, situada em uma região curda do norte da Síria, centenas gritaram "não à violência, sim ao diálogo", contou à AFP Radif Mustafah, dirigente de uma organização curda de defesa dos direitos humanos.

Também diziam: "Não somos islamitas nem salafistas, queremos liberdade", disse. Os manifestantes diziam "azadi, azadi" (liberdade, em curdo).

Em Banias, noroeste da Síria, muitos manifestantes protestavam com o peito nu, para mostrar que, ao contrário do que acusa o governo, não andam armados, indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Na passeata gritavam slogans contra o regime e pela liberdade, pedindo o fim do estado de sítio em algumas cidades sírias, segundo a mesma fonte. Segundo uma testemunha, as forças de segurança dispersaram os manifestantes com disparos e cassetetes. Várias pessoas ficaram feridas, incluindo uma mulher que fazia um vídeo da marcha.

A Síria proibiu a atuação de jornalistas estrangeiros e impediu que repórteres locais façam coberturas em locais em conflito, tornando quase impossível que os relatos das testemunhas sejam confirmados de forma independente.

Na semana passada, prisões em massa em um pesado aparato de segurança diminuiram o tamanho dos protestos, sugerindo que a grande campanha de intimidação de Assad estava funcionando. Mas as marchas desta sexta-feira sugerem que as forças de oposição poderiam estar tentando se reagrupar.

A Síria está sob crescente pressão para pôr fim à repressão, mas o governo desconsiderou as críticas e as novas sanções que tiveram como alvo Assad e outras autoridades.

Em um discurso na quinta-feira sobre o levante no mundo árabe , o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que Assad deveria liderar o país para a democracia ou "sair do caminho". A agência oficial síria afirmou que o pronunciamento do líder americano era um "incitamento". A Síria tem dito que a mobilização popular é causada por agitadores estrangeiros.

*Com AP, EFE e AFP

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