Forças de segurança reprimem manifestação antigoverno na Síria

Governistas usam gás lacrimogêneo e agridem com cassetetes manifestantes que participavam de protesto na capital do país, Damasco

iG São Paulo |

Reuters
Manifestantes antigoverno protestam em Qamishli, na Síria
Forças de segurança da Síria lançaram gás lacrimogêneo e bateram com cassetetes em milhares de manifestantes que participavam de um protesto contra o governo na capital do país, Damasco. Segundo testemunhas, os manifestantes de reuniram nos subúrbios e foram atacados ao tentarem se aproximar do centro da cidade.

Os protestos antigoverno, que acontecem há mais de um mês na Síria, chegaram poucas vezes até a capital.

Nesta sexta-feira, os manifestantes marchavam em Damasco segurando cartões amarelos como os usados por juízes em jogos de futebol.

"Esse é nosso primeiro aviso (ao regime). Na próxima vez, vamos trazer cartões vermelhos", disse um dos participantes da marcha à agência Associated Press.

Além da capital, multidões protestaram nas cidades de Deraa, Latakia e Baniyas, entre outras. Os manifestantes voltaram a pedir o fim das leis de emergência que vigoram no país há quase 50 anos.

A Síria vive uma onda de protestos desde o dia 18 de março, quando moradores de Deraa protestaram contra a detenção de 15 crianças por terem escrito frases contra o governo em um muro.

No dia 23, violentos confrontos aconteceram depois que as forças de segurança ameaçaram invadir uma mesquita. A justificativa era a de que a mesquita estava sendo usada por gangues para estocar arma e transformar crianças em escudos humanos.

Centenas de pessoas se reuniram no local para impedir a invasão. Há relatos de que as forças de segurança dispararam indiscriminadamente contra a multidão, o que governo nega.

O regime tem atribuído os atos de violência a "desordeiros" que desejam espalhar o pânico entre a população e prometeu investigar as mortes. Os protestos são a maior ameaça já enfrentada pelo presidente da Síria, Bashar al-Assad, de 45 anos, que sucedeu seu pai, Hafez, depois de sua morte em 2000.

Na tentativa de conter a onda de protestos, o governo prometeu estudar o relaxamento de leis que governam a mídia e o sistema de partidos políticos, assim como o estabelecimento de leis anticorrupção. No entanto, a promessa não foi considerada suficiente pelos manifestantes.

Com AP e BBC

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