Forças de segurança do Egito invadem escritórios de ONGs

Segundo ativistas e oficial da segurança, buscas faziam parte de uma operação sobre financiamento estrangeiro desses grupos

iG São Paulo |

Soldados e policiais egípcios invadiram escritórios de ONGs (Organizações Não Governamentais) atuantes no país nesta quinta-feira como parte de uma operação sobre o financiamento estrangeiro destes grupos, impedindo os funcionários de deixar o local enquanto as buscas estavam em andamento, informaram um ativista e um oficial da segurança.

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AP
Funcionários da ONG Instituto Nacional Democrático aguardam enquanto autoridades egípcias realizam busca em seu escritório, no Cairo

A TV estatal egípcia informou que ao menos 18 escritórios foram alvos de incursões desse tipo. No Cairo, também nesta quinta, um tribunal egípcio absolveu cinco policiais das acusações de matar cinco manifestantes e ferir outros seis durante os 18 dias de manifestações que culminaram com a renúncia de Hosni Mubarak em 11 de fevereiro. Cerca de 800 manifestantes foram mortos nos protestos que tiveram início em janeiro.

O tribunal disse que três dos réus não estavam no local das mortes, enquanto os outros dois atiraram contra manifestantes em autodefesa.

As incursões nos escritórios das ONGs e a absolvição dos policiais deverão ser determinantes para inaugurar uma nova crise nas relações entre os generais que estão no poder desde a queda de Mubarak e os grupos de direitos humanos e ativistas.

As relações entre esses dois lados vem sendo cercada de tensões há meses, principalmente pela forma com os militares têm lidado com a transição para um governo civil e suas falhas no que tange à restauração da segurança, da economia, além da promoção de direitos humanos.

Organizações sediadas nos Estados Unidos, incluindo o Instituto Nacional Democrático, o Instituto Republicano Internacional e a Casa da Liberdade, estavam entre os escritórios invadidos. Algumas instituições locais que recebem fundos estrangeiros também foram alvo das incursões.

O Exército do Egito prometeu investigar como organizações pró-democracia e de direitos humanos são financiadas e disse várias vezes que não irá tolerar interferência estrangeira nas questões do país.

O chefe da Rede Árabe para Informações dos Direitos Humanos, Gamal Eid, disse que funcionários que estavam dentro de um dos escritórios ligaram para ele para dizer que as forças de segurança estavam removendo e levando os computadores.

Agentes armados foram vistos do lado de fora de vários escritórios invadidos, proibindo qualquer pessoa de entrar ou falar com os funcionários que permaneciam dentro deles.

Uma autoridade do departamento da promotoria geral egípcia disse que pelo menos uma das organizações com sede nos EUA estava trabalhando sem a permissão adequada. O oficial falou em condição de anonimato, uma vez que não estava autorizado a divulgar a informação.

Analistas políticos disseram que os grupos investigados nesta quinta-feira assumiram uma postura política neutra, e que trabalhavam para o estabelecimento da democracia no Egito treinando membros dos partidos nascentes.

"O Instituto Nacional Democrático vem treinando os novos partidos... em como participar nas eleições", disse um membro de um partido liberal, pedindo anonimato. "Isso era de total conhecimento das autoridades e não era clandestino."

Com AP e Reuters

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