Forças de segurança disparam contra manifestantes no Iêmen

Repressão contra protestos em duas cidades, incluindo a capital, deixam ao menos 6 mortos e 46 feridos

iG São Paulo |

As forças de segurança iemenitas mataram nesta quarta-feira seis manifestantes na capital, Sanaa, e na cidade de Taiz, no sul do país, onde continuam os protestos contra o regime do presidente Ali Abdullah Saleh. A repressão também deixou ao menos 46 feridos, em muitos casos na cabeça ou no pescoço. O diretor do hospital de campanha de Taiz disse que um dos manifestantes feridos teve morte cerebral.

AFP
Manifestante iemenita com máscaras antigás participa de protesto antigoverno em Sanaa, Iêmen
Em Sanaa, militares e partidários do regime dispararam contra a multidão quando estava a cerca de 200 metros da presidência do governo, disse um de seus organizadores, Taufik Al Himyari.

Um manifestante morreu "com um tiro no peito, perto do coração", afirmou à AFP uma fonte médica do hospital de campanha instalado perto da praça da Mudança, principal ponto de encontro dos manifestantes opostos ao regime de Sanaa. Segundo uma testemunha, "franco-atiradores escondidos participaram do ataque contra os manifestantes".

Em Taiz, 250 km ao sul de Sanaa, convertida em foco de protestos contra Saleh, no poder desde 1978, as forças de segurança dispararam com balas para dispersar os manifestantes que, desde domingo à noite, realizam um protesto na principal avenida do centro da cidade.

Os manifestantes queimaram pneus e bloquearam os acessos a uma rua comercial, onde vários bancos e organismos governamentais têm sede.

As forças de segurança levantaram barreiras e lançaram gás lacrimogêneo em uma tentativa de dispersar a multidão, que, por sua vez, respondeu lançando pedras. Além disso, os manifestantes tentaram tomar uma delegacia de polícia e chegaram a render um policial que disparava para o alto.

Os protestos no Iêmen tiveram início em 27 de janeiro. Inicialmente, os cidadãos pediam reformas democráticas, mas passaram a exigir também a queda de Saleh. A repressão do movimento de protesto contra o regime iemenita deixou mais de 160 mortos desde o fim de janeiro em todo o país, segundo um cálculo realizado pela AFP a partir de diferentes fontes.

*Com EFE e AFP

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