Forças de segurança disparam contra manifestantes no Iêmen

Ataque durante protesto antigoverno deixa ao menos 31 mortos, incluindo três crianças

iG São Paulo |

Reuters
Manifestante carregam homem ferido durante protestos antigoverno em Sanaa, no Iêmen

Forças de segurança atiraram em dezenas de milhares de manifestantes que faziam um protesto nesta sexta-feira contra o governo em uma praça no centro de Sanaa, capital do Iêmen. Os tiros, disparados a partir de telhados de casas próximas, deixaram ao menos 31 mortos. Segundo fontes médicas que trabalham em um hospital improvisado no local, três das vítimas fatais são crianças.

Foi a resposta mais violenta do presidente Ali Abdullah Saleh aos protestos que acontecem há mais de um mês. Outras manifestações reuniram milhares nas cidades de Taiz e Adan.

Em Sanaa, manifestantes estão acampados em praças para exigir a renúncia de Saleh, que está no poder há 32 anos. Auxiliadas por partidários do governo, as forças de segurança também usaram balas de borracha, bombas de gás, paus, facas e pedras contra os manifestantes. Pouco antes dos disparos serem feitos, um helicóptero militar sobrevoou a praça, enquanto os manifestantes chegavam ao local, após as orações de sexta-feira.

Por causa da onda de protestos, inspirados em revoltas que derrubaram os governos de Tunísia e Egito, Saleh prometeu realizar reformas nas leis eleitorais e deixar o cargo em 2013. Ele se recusa, porém, a renunciar.

"Não aos golpes e a tomar o poder por meio da anarquia e do assassinato. Vocês querem que o regime vá embora - então venham e se livrem dele por meio das urnas", afirmou, no mês passado.

Manifestações pró-democracia vêm se espalhando por diversos países árabes e muçulmanos. Eles tiveram início na Tunísia em dezembro passado e provocaram a deposição do então presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, no final de janeiro. Em fevereiro, uma série de manifestações provocou a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

AP
Manifestantes carregam ferido em local de confronto na capital do Iêmen, Sanaa

Com EFE e AP

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