Forças de segurança da Síria renovam ataque a Homs

Exército invade bairros residenciais e clínica improvisada, dois dias após Rússia e China vetarem resolução da ONU contra Assad

iG São Paulo |

As forças de segurança da Síria lançaram um novo ataque contra a cidade de Homs nesta segunda-feira, dois dias depois de a Rússia e a China vetarem uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o regime do presidente Bashar Al-Assad.

De acordo com ativistas, as tropas sírias atacaram bairros residenciais e uma clínica improvisada para tratar feridos na brutal operação militar de sábado, que deixou mais de 200 mortos . A ação desta segunda-feira teria deixado entre 17 e 50 mortos.

Leia também: Hillary condena Rússia e China e pede união aos 'amigos da Síria'

Reuters
Criança ferida é vista com os pais em Baba Amro, bairro de Homs, cidade alvo de ataque das forças sírias (06/02)

“Não dormimos a noite toda. O governo está cometendo crimes”, disse o ativista Majd Amer à Associated Press, em entrevista por telefone. Outro ativista, Omar Shaker, disse que, por volta das 6h30 (horário local), um tiro ou explosão era ouvido a cada dois minutos.

O governo da Síria negou o ataque e disse que ativistas estão incendiando pneus para dar a impressão de que a cidade está sendo bombardeada. A agência estatal Sana afirmou que “homens armados” mataram três soldados e capturaram outros na região de Jabal al-Zawiya, norte do país.

Homs, cidade central à qual muitos se referem como “a capital da revolução síria”, é o epicentro da revolta popular contra Assad, que começou há 11 meses. Vários bairros da cidade, incluindo Baba Amr, estão sob controle de dissidentes do Exército.

Ativistas disseram temer que a decisão da China e da Rússia de bloquear a resolução da ONU fortaleça o regime. O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne grupos de oposição da Síria, afirmou que os dois países deram uma " licença para matar " a Assad.

"O CNS considera ambos os países responsáveis pelo agravamento das mortes e genocídio, e considera este passo irresponsável uma licença para que o regime sírio mate sem ser responsabilizado", disse uma declaração divulgada pelo grupo.

Nesta segunda-feira, a China defendeu o veto à resolução, dizendo que a proposta foi submetida à votação antes que todos os integrantes do Conselho de Segurança da ONU pudessem resolver suas diferenças.

“Isso não ajuda a manter a unidade e a autoridade do Conselho, nem ajuda a resolver os problemas corretamente”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Liu Weimin. “Na questão da Síria, a China não está dando abrigo a ninguém nem se opondo intencionalmente a ninguém. Apenas mantemos uma atitude responsável e justa.”

O porta-voz acrescentou que o país continua apoiando o diálogo para acabar com a violência e atender o desejo do povo sírio por reformas políticas.

'Amigos da Síria'

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, classificou o veto de China e Rússia como um "absurdo" e fez um apelo no domingo pela união dos “amigos da Síria democrática”.

“Diante de um Conselho de Segurança neutralizado, temos de redobrar nossos esforços fora da ONU com os aliados e parceiros que apoiam o direito do povo sírio de ter um futuro melhor", afirmou Hillary em Sófia, na Bulgária.

“Vamos trabalhar para expor aqueles que ainda estão financiando o regime de Assad e mandando armas para serem usadas contra sírios indefesos, incluindo mulheres e crianças", afirmou. “Vamos trabalhar com os amigos da Síria democrática em todo o mundo para apoiar os planos de mudança pacíficos da oposição.”

Hillary afirmou que nos próximos dias fará consultas com aliados dos EUA para definir o que pode ser feito na síria “antes que seja tarde”. “Naqueles 13 votos a favor da resolução da ONU você tinha europeus, árabes, africanos, latino-americanos e asiáticos”, lembrou a secretária. “A comunidade internacional quer o fim da violência.”

De acordo com a Associated Press, o grupo de “amigos da Síria” seguiria os moldes do Grupo de Contato da Líbia, que coordenou a ajuda internacional aos opositores do ex-líder líbio Muamar Kadafi . Porém, no caso da Líbia o grupo também coordenava operações militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), algo não cogitado no caso sírio.

Autoridades americanas ouvidas pela agência disseram que o grupo poderia aumentar o isolamento do regime de Assad fortalecendo sanções, unificando a oposição, oferecendo ajuda humanitária à população e controlando a venda de armas para prevenir uma escalada de violência.

Com AP, BBC e Reuters

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