Forças de segurança atiram contra manifestantes na Síria

Manifestantes saem às ruas em várias cidades para manifestar apoio à população de Deraa, epicentro dos protestos

iG São Paulo |

Reuters
Manifestantes protestam contra o governo em Banias, na Síria

Testemunhas disseram que as forças de segurança da Síria atiraram contra manifestantes antigoverno na capital, Damasco, e na cidade costeira de Latakia nesta sexta-feira. Outras manifestações aconteceram em Homs, Banias, Raqqa, Hama e Qamishli, e a TV estatal afirmou que um grupo de homens armados invadiu uma base militar em Deraa - epicentro dos protestos - e matou quatro soldados.

De acordo com grupos da oposição e ativistas de direitos humanos, ao menos 62 manifestantes foram mortos, a maioria em Deraa. Em muitos dos protestos, manifestantes gritavam "nós não temos medo" e pediam apoio à população da cidade onde a onda de manifestações contra o presidente Bashar al-Assad começou. No início da semana, soldados invadiram a cidade com tanques e franco-atiradores.

Um morador de Deraa disse à agência Associated Press que a forte presença militar na cidade faz com que grande parte da população permaneça em casa. Segundo ele, as pessoas estão com medo de ir rezar nas mesquitas - um ritual de todas as sextas-feiras.

Em Damasco, o governo colocou cartazes pela cidade que diziam: "Pedimos que nossos irmãos cidadãos evitem sair de casa na sexta-feira para sua própria segurança". Segundo a TV estatal, o Ministério do Interior não aprovou nenhuma marcha ou demonstração.

Sanções

Nesta sexta-feira, os Estados Unidos impuseram sanções econômicas a várias entidades administrativas do regime sírio e funcionários, entre eles Maheral-Assad, irmão do presidente Bashar al-Assad. As sanções, decididas pelas "violações dos direitos humanos na Síria", incluem Maher al-Assad, responsável pelo Exército sírio, assim como Ali Mamluk, chefe dos serviços de inteligência, e Atef Najib, que se apresentou como o ex-chefe de inteligência de Deraa.

Os países da União Europeia (UE) decidiram nesta sexta-feira sancionar o regime de Damasco, em resposta à violenta repressão dos protestos populares suscitados na Síria. A primeira das medidas será a imposição sobre a Síria de um embargo de armas e de materiais utilizados para a repressão, como pactuaram nesta sexta-feira os embaixadores dos 27 países-membros em reunião que se prolongou durante horas.

A UE deve também estudar "urgentemente" outro tipo de sanções com as quais forçaria uma "mudança imediata nas políticas" do governo sírio. Dentro desse pacote, inclui-se a possibilidade de proibir pessoas ligadas ao regime de viajarem à Europa e congelar seus ativos e os de entidades vinculadas ao presidente sírio, duas ações frequentes neste tipo de caso. Além disso, a UE pretende revisar "todos os aspectos de sua cooperação com as autoridades sírias", conforme explicou em comunicado.

As manifestações são a mais grave ameaça enfrentada pelo governo de Bashar al-Assad desde que ele substituiu seu pai, Hafez, há 11 anos. Os conflitos começaram em Deraa no começo de março e rapidamente se espalharam pelo país. Centenas de pessoas já foram mortas durante os protestos, reprimidos com violência pelas forças de segurança.

Na quarta-feira, mais de 200 membros do partido governista sírio Baath anunciaram uma demissão coletiva, em protesto contra a repressão violenta do governo contra manifestantes em Deraa.

Em um comunicado conjunto, os políticos criticaram "a postura negativa tomada pelo partido Baath nos eventos na Síria, particularmente em Deraa" e disseram que a decisão foi tomada também "pelas dezenas de pessoas que foram mortas e pelas milhares que foram feridas nas mãos das forças de segurança".

ONU

Com o voto favorável do Brasil, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU votou, nesta sexta-feira, resolução pedindo o envio urgente a Damasco de missão para investigar a violação dos direitos fundamentais na Síria.

O documento, apresentado pelos Estados Unidos, foi aprovado ao fim de uma longa jornada de negociações com 26 votos a favor, entre eles o do Brasil, 9 contra, inclusive o de Cuba, e 7 abstenções. O Conselho é integrado por 47 países.

A resolução pede ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos o envio, "de forma urgente, de missão à Síria para investigar violações dos direitos humanos e para estabelecer os fatos e as circunstâncias dos crimes cometidos". A resolução condena "explicitamente, o uso da violência contra manifestações pacíficas por parte das autoridades sírias".

O representante da China votou contra a resolução, dizendo que poderia "criar um precedente perigoso". Também se opuseram à resolução a Rússia e o Paquistão.

*Com AP e BBC

    Leia tudo sobre: síriamundo árabeprotestosbashar al-assad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG