Forças de Kadafi espancam equipe da BBC na Líbia

Homens levaram socos, joelhadas e coronhadas e pensaram que seriam executados ao ficar enfileirados contra a parede em Zawiya

iG São Paulo |

As forças de segurança do líder líbio, Muamar Kadafi, detiveram e espancaram uma equipe da rede britânica BBC que tentava chegar à cidade de Zawiya, no oeste do país. Localizada a 50 quilômetros de Trípoli, a cidade está há dias sob cerco das forças leais a Kadafi que tentam tomar seu controle.

O trio apanhou com socos, joelhadas e coronhadas, foi vendado e submetido a simulações de execução pelo Exército e a polícia secreta líbia. Os três homens foram detidos por 21 horas, mas agora saíram do país depois de sua detenção na segunda-feira.

Um dos membros da equipe, Chris Cobb-Smith, disse: "Fomos enfileirados contra a parede. Eu era o último da fila. Olhei e vi um cara à paisana com uma pequena metralhadora. Ele a pressionou contra o pescoço de cada um. Eu o olhei e ele gritou. Então caminhou em minha direção e puxou o gatilho e as balas passaram perto da minha orelha. Os soldados apenas riram."

Há relatos de que um segundo membro da equipe - Feras Killani, correspondente de ascendência palestina - foi escolhido pelos captores para ser submetido aos piores maus-tratos. O terceiro membro da equipe, o câmera Goktay Koraltan, disse ter ficado convencido de que morreriam.

Confrontos internos

As Forças de Kadafi intensificaram nesta quarta-feira uma ofensiva com uso de tropas, apoio aéreo e artilharia para reconquistar o enclave petroleiro de Ras Lanuf , a 350 quilômetros a oeste de Benghazi, epicentro dos protestos antigoverno e reduto da oposição no leste do país.

O governo da Líbia também ofereceu uma recompensa de 500 mil dinares líbios (cerca de US$ 400 mil e R$ 663 mil) pela captura de Mustafá Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça que renunciou ao cargo para apoiar os protestos contra o regime, tornando-se presidente do Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR).

No 23º dia de confrontos violentos no país, o líder líbio, Muamar Kadafi, disse em entrevista à TV turca TRT que a população pegará em armas se uma zona de exclusão aérea for imposta à Líbia por países ocidentais ou pela ONU, como vários líderes rebeldes vêm pedindo .

Países ocidentais vêm discutindo a possibilidade de impor uma zona de restrição a voos sobre a Líbia para impedir ataques aéreos de forças leais ao governo contra rebeldes. Os EUA afirmam que qualquer decisão a respeito deve ser tomada pela ONU .

*Com BBC, AP, EFE e Reuters

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