Forças de Kadafi derrotam rebeldes em cidades do oeste líbio

Conselho de Segurança das Nações Unidas não consegue chegar a acordo sobre zona de exclusão aérea na Líbia

iG São Paulo |

Forças leais a Muamar Kadafi retomaram na segunda-feira a pequena cidade costeira de Zuwarah, encerrando uma das últimas rebeliões no oeste da Líbia, após um dia em que muitos moradores fugiram da artilharia pesada.

As tropas iniciaram seu ataque durante a manhã, aproximando-se pelo oeste, leste e sul, e lutando para ocupar uma cidade que estava relativamente tranquila desde o início da insurreição contra Kadafi no mês passado. Os insurgentes na cidade diziam estar mal equipados e duvidavam que pudessem manter o controle por muito tempo. No final, foram derrotados em questão de horas. "Zuwarah está nas mãos deles agora", disse um morador chamado Tarek Abdallah. "Eles a controlam e não há nenhum sinal dos rebeldes. Eles estão agora no centro, o Exército e os tanques."

AFP
Homens rezam apos manifestação anti-governo na cidade de Tobruk, na Líbia
A única cidade importante ainda mantida pelos rebeldes no oeste é Misurata, 200 quilômetros a leste de Trípoli. Zuwarah fica 120 quilômetros a oeste da capital, já perto da fronteira com a Tunísia.

Durante o ataque de artilharia, um combatente rebelde chamado Abu Zeid disse: "Estamos nos defendendo, mas não podemos fazê-lo por muito tempo. Não há armas suficientes. Está muito ruim aqui agora."

Um guerrilheiro foi morto e vários ficaram feridos, segundo o insurgente Abu Zeid. "Eles vieram em veículos militares e começaram a atirar contra nós", disse ele. "Nós não temos armas, estamos lutando com o que podemos encontrar aqui. Só Deus sabe o que vai acontecer conosco."

Houve relatos de combates em Zuwarah no início da insurreição contra o governo de Kadafi, há quatro décadas no poder, mas desde o mês passado não havia notícias da cidade.

Mudança

As forças governistas inicialmente perderam o controle sobre vastas áreas do país, mas na semana passada a situação se inverteu a favor dos militares. Kadafi conseguiu dominar a rebelião em Zawiyah, 50 quilômetros a oeste Trípoli, e no leste do país os insurgentes foram expulsos das localidades petrolíferas de Ras Lanuf e Brega.

Membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiram e não chegaram a um acordo nesta segunda-feira sobre os pedidos árabes de fixar uma zona de exclusão aérea na Líbia, com a Rússia insistindo que ainda existem "questões fundamentais" para serem resolvidas sobre o tema.

Enviados europeus e árabes afirmaram que é necessário uma urgente ação da ONU contra a ofensiva de Kadafi, que áreas antes nas mãos opositoras a cada dia. No entanto, devido às diferenças entre os países membros, o Conselho de Segurança vai precisar de alguns dias para chegar a um acordo sobre as medidas, disseram diplomatas.

AFP
Embaixador libanês para as Nações Unidas concede entrevista após reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York
O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, considerou que ainda existem "assuntos fundamentais" a resolver antes de decidir sobre uma zona de exclusão aérea na Líbia. "Não é apenas o devemos fazer, mas sim como devemos fazê-lo. Se não tivermos uma resposta para estas perguntas, é muito difícil tomar uma decisão responsável", disse Churkin.

A cidade de Ajdabiya, situada na rota a Benghazi, prepara-se para sofrer um ataque das forças de Kadafi, que seguem avançando, enquanto o Ocidente tenta chegar a um acordo para encontrar uma solução. Benghazi, segunda maior cidade do país, pode se ver ameaçada muito em breve pelas tropas de Kadafi que nos últimos dias vêm retomando o controle de povoados que antes estavam nas mãos dos rebeldes, em particular Brega, a cerca de 80 km ao oeste de Ajdabiya.

Assim como o Conselho de Segurança da ONU, os países da União Europeia estão divididos sobre as medidas para colocar fim ao regime do líder líbio, entre os defensores de uma zona de exclusão aérea.

Missão europeia

Nesta segunda-feira, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, enviou uma missão a Benghazi para avaliar as possíveis medidas a serem tomadas para responder ao conflito no país, incluindo uma zona de exclusão aérea.

A missão, composta por membros do serviço diplomático da União Europeia e dirigida pelo diretor do centro europeu de gestão de crises, Agostino Miozzo, visitou no domingo e na segunda-feira a cidade e a fronteira entre Líbia e Egito, segundo uma porta-voz de Ashton, Maja Kocijancic.

Seu objetivo foi "reunir informações e avaliar a situação para colocar em prática as medidas que estão em curso para responder à crise líbia", ressaltou.

Também nesta segunda-feira, o presidente americano, Barack Obama, exigiu novamente a saída de Kadafi do poder, antes das conversas da secretária de Estado, Hillary Clinton, com líderes opositores líbios em Paris. "O senhor Kadafi perdeu sua legitimidade e deve ir embora", disse Obama, depois de se reunir com o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lowkke Rasmussen, na Casa Branca.

Hillary está em Paris para falar com colegas de sete países e planeja se encontrar com representantes da oposição líbia na terça-feira de manhã, disse um funcionário americano.

*Com Reuters e AFP

    Leia tudo sobre: líbiakadafiprotestosoposiçãorebeldeshospital

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG