Forças de Kadafi bombardeiam depósito de combustíveis em Misrata

Cidade é a última do oeste da Líbia sob controle dos rebeldes, que recebem apoio de países do Ocidente contra o ditador líbio

iG São Paulo |

Forças do governo líbio bombardearam grandes tanques de depósito de combustível na cidade de Misrata, no oeste do país, causando um grande incêndio neste sábado.

De acordo com rebeldes líbios, o bombardeio ocorreu depois de artilharia pesada disparadas pelas forças leais a Muamar Kadafi caírem na Tunísia, caracterizando um aumento nos combates entre soldados líbios e rebeldes contrários ao governo perto da fronteira.

Misrata é a última cidade do oeste sob controle rebelde. A região portuária está sitiada há mais de dois meses e testemunhou algumas das batalhas mais sangrentas entre forças leais a Kadafi e opositores.

AP
Bombardeios em Misrata, na Líbia, deixaram líbios em desespero
Os rebeldes deram informações variadas sobre o bombardeio a Misrata, mas disseram que o ataque, ocorrido na noite de sexta-feira atingiu combustível para exportação e de consumo interno. "Quatro tanques foram totalmente destruídos e um grande incêndio ocorreu, espalhando-se agora para os outros quatro. Não conseguimos extingui-lo, pois não temos as ferramentas certas," afirmou o porta-voz rebelde, Ahmed Hassan. "Esses tanques poderiam ter mantido a cidade por três meses com combustível suficiente," afirmou o porta-voz por telefone.

Hassan disse também que forças do governo usaram pequenos aviões, normalmente utilizados para jogar pesticidas, para realizar o ataque durante a noite em Qasr Ahmed. Mais tarde, ele disse à emissora de televisão Al-Jazeera que três helicópteros com emblemas do Crescente Vermelho realizaram o ataque.

Foguetes

Outro porta-voz rebelde, que se identificou como Abdelsalam, disse que um helicóptero do governo realizou uma missão de reconhecimento sobre o porto e, duas horas depois, por volta da meia-noite (horário local), forças governamentais dispararam foguetes e atingiram três tanques de combustível pertencentes à Brega Oil Company.

Rebeldes notificaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre os aviões antes do ataque, mas não houve resposta, afirmou Hassan. No mês passado, forças do governo realizaram pelo menos uma missão de reconhecimento sobre Misrata com um helicóptero, de acordo com rebeldes.

Do outro lado da fronteira, na cidade tunisiana de Dehiba, escolas foram esvaziadas e moradores correram para locais seguros. A cidade foi repetidamente atingida por bombardeios nas últimas semanas, enquanto os rivais líbios lutam pelo controle de um ponto de passagem na fronteira. 

Os combates foram intensificados nas montanhas do oeste da Líbia no momento em que forças leais a Kadafi e rebeldes chegaram a um impasse em outras frentes da guerra civil. Ondas de poeira e rochas marcaram os locais onde pelo menos 13 projéteis caíram do lado tunisiano.

Forças leais a Kadafi lutam pelo controle da passagem fronteiriça de Dehiba-Wazzin, que dá aos rebeldes uma ligação do mundo externo para dentro dos seus redutos nas regiões montanhosas.

Itália

Neste sábado, o Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio afirmou que a Itália aceitou fornecer armas para os rebeldes "em breve", para ajudá-los a combater as forças fiéis a Kadafi. "Eles nos fornecerão armas, e nós vamos recebê-las muito em breve", declarou à imprensa o vice-presidente do CNT, Abdel Hafiz Ghoga.

Se confirmado, isso faria da Itália o primeiro país europeu a fornecer armas aos rebeldes, pouco treinados e mal armados, que lideram a luta contra o ditador líbio desde o início do levante, em meados de fevereiro.

Ghoga afirmou que oficiais militares do conselho rebelde viajaram à Itália e chegaram a um acordo com autoridades para o fornecimento de armas. Ele não deu detalhes sobre quais armas serão disponibilizadas.

Em Roma, fontes do Ministério das Relações Exteriores afirmaram que a Itália concordou em enviar "material de autodefesa" para os rebeldes após os acordos alcançados em Doha no mês passado no âmbito da Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU.

As autoridades afirmaram que não serão armas de assalto, mas não deram mais detalhes.

*Com Reuters e AFP

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