Forças de Kadafi avançam enquanto coalizão discute armar rebeldes

Rússia se diz contra o fornecimento de armas à oposição líbia, medida que Estados Unidos e Grã-Bretanha "não descartam"

iG São Paulo |

Forças leais ao líder líbio, Muamar Kadafi, forçaram rebeldes a recuar para o leste do país nesta quarta-feira, em meio às discussões entre potências internacionais sobre a possibilidade de armar a oposição que tenta tirar Kadafi do poder, após 42 anos.

Após terem conseguido recuperar o controle de várias cidades e avançar para o oeste da Líbia, com o apoio dos bombardeios da coalizão internacional, os rebeldes enfrentam dificuldades para resistir aos ataques das forças de Kadafi.

Os opositores tinham conseguido chegar até Sirte, a cidade natal de Kadafi, mas foram forçados a recuar e nesta quarta-feira muitos fugiram das cidades petrolíferas de Ras Lanuf e Brega, em meio a contínuos ataques. Depois, aviões da Otan sobrevoaram a área, numa possível indicação de quea coalizão poderia bombardear redutos de Kadafi em Ras Lanuf para ajudar os rebeldes.

A rádio Voz da Líbia Livre, controlada pelos rebeldes, diz que o recuo de Ras Lanuf e Bin Jawad foi uma ação "tática" por causa da ausência de ajuda aérea.

O recuo dos rebeldes líbios acontece em meio às discussões sobre a possibilidade de a coalizão internacional fornecer armas para o combate em terra contra as forças pró-Kadafi. Nesta quarta-feira, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, se disse contrário à ideia, pelo fato de as potências terem pouco conhecimento sobre quem são os rebeldes líbios. Existe o temor de que parte da oposição esteja ligada à rede terrorista Al-Qaeda, por exemplo.

Lavrov acrescentou que o regime líbio deve mudar e se tornar democrático, mas ressaltou que as facções do país devem promover a mudança sem interferência externa. A Rússia, que se absteve na votação da ONU que autorizou a operação militar, já manifestou sua preocupação com o uso de força excessiva desde que a operação começou e com a possibilidade de que os ataques deixem vítimas civis.

Também nesta quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Itália classificou a possibilidade de armar os rebeldes de " medida controversa".

"Não é a solução ideal para acabar com os massacres da população civil", disse o porta-voz da chancelaria italiana, Maurizio Massari, em entrevista a uma emissora de rádio local. Segundo ele, a posição da Itália é a de usar "os instrumentos que estão à disposição, como a zona de exclusão aérea e os corredores humanitários".

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não descartou o fornecimento de armas para os opositores. "Não vou especular sobre isso. Acho que é correto dizer que, se quiséssemos enviar armas para dentro da Líbia, nós provavelmente conseguiríamos. Nós estamos considerando todas as opções neste momento", afirmou o presidente, em entrevista à jornalista Diane Sawyer, da rede de TV ABC.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, também disse que a Grã-Bretanha "não descarta" armar os rebeldes, embora "não tenha tomado nenhuma decisão" sobre isso. Ele afirmou que o fornecimento de armas seria legal, contrariando seu ministro das Relações Exteriores, William Hague, que no dia anterior afirmou que o embargo definido por uma resolução da ONU impediria as potências de entregrar armamentos aos líbios.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que uma eventual decisão nde armas os rebeldes seria legal. Segundo ela, no momento em que outra resolução da ONU aprovou a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, anulou part embargo sobre venda de armas foi anulado. "Pode haver uma transferência legal de armamentos, se um país decidir fazê-lo", afirmou.

O porta-voz de Cameron, Steve Field, disse que os diplomatas estão em diálogo com opositores em Benghazi para investigar se podem ser considerados aliados confiáveis. "Estamos falando com essas pessoas e aprendendo mais sobre suas intenções", afirmou.

O jornal americano "The New York Times" informou que o debate sobre a possibilidade de armar os rebeldes provocou um debate intenso na Casa Branca, no Departamento de Estado e no Pentágono.

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