Forças de Kadafi atacam rebeldes em Ajdabiya e Misrata

Filho do líder da Líbia diz que país financiou campanha do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que nega a acusação

iG São Paulo |

Tropas leais ao líder líbio, coronel Muamar Kadafi, estão realizando ataques terrestres contra um dos redutos das forças rebeldes, a cidade de Ajdabiya, no leste do país, após terem feito uma série de bombardeios contra a cidade, na terça-feira.

Ajdabiya, situada da 200 quilômetros de Benghazi, a capital improvisada das forças rebeldes, é a última grande cidade no caminho até o reduto das forças anti-Kadafi. Os partidários do governo também estão promovendo ataques contra a cidade de Misrata, a única no oeste do país controlada por ativistas contrários ao regime.

Os rebeldes disseram ainda que controlam Ajdabiya e negaram as informações divulgadas pelo governo líbio de que a cidade já teria sido capturada. Mas os dissidentes temem que, caso a cidade caia em mãos dos partidários de Kadafi, Benghazi estará seriamente ameaçada.

Jalal Al Gallal, do Conselho Nacional de Transição Líbia, afirmou que se não houver intervenção por parte da comunidade internacional, o QG rebelde estará sujeito a um massacre.

''Ele matará civis, ele materá sonhos, ele nos destruirá'', disse Gallal em entrevista à BBC. ''Só a ameaça da força poderá conter Kadafi. O ditador líbio inverteu o equilíbrio de forças por meio de bombardeios, feitos com alguns poucos aviões e helicópteros, contra posições de seus opositores.''

Gallal acrescentou que é possível neutralizar as forças governistas por meio de ataques a áreas específicas. Ele acrescentou ainda que alguns países árabes estariam dispostos a participar dessas ações.

Os militantes vêm pedindo a imposição de um bloqueio aéreo sobre a Líbia, o que impediria a realização de ataques aéreos contra posições rebeldes. Mas o tema vem causando divergências entre as grandes potências.

Grã-Bretanha e França defendem a zona de exclusão aérea, mas Estados Unidos, Rússia, China e Alemanha têm restrições. O Conselho de Segurança da ONU está discutindo a criação do bloqueio aéreo sobre a Líbia, que também é defendido pelos paises que integram a Liga Árabe.

Sarkozy

Nesta quarta-feira, Saif al Islam, filho de Muammar Kadafi, disse que seu pai financiou a campanha eleitoral do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pediu ao governante europeu que devolva esse dinheiro porque ele "decepcionou" a população líbia. O gabinete de Sarkozy negou a acusação.

AFP
Saif al Islam, filho de Muamar Kadafi, concede entrevista ao canal Euronews

"A primeira coisa que peço a esse palhaço é que devolva o dinheiro. Demos essa ajuda para que agisse em favor do povo líbio, mas ele nos decepcionou", declarou Saif al Islam em entrevista concedida à rede televisiva Euronews.

O filho de Kadafi disse que pode provar o financiamento à campanha de Sarkozy, pois possui "todas as contas bancárias, documentos e movimentações (financeiras)". "Fomos nós que financiamos sua campanha. Temos todos os detalhes e estamos prontos para revelá-los", declarou.

Com BBC e EFE

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