Forças da Síria reprimem protesto antigoverno, dizem testemunhas

Gás lacrimogêneo e tiros para o alto teriam sido usados para dispersar cerca de 4 mil manifestantes em Deraa

iG São Paulo |

Testemunhas disseram que forças de segurança da Síria usaram gás lacrimogêneo para dispersar milhares de manifestantes antigoverno na cidade de Deraa nesta segunda-feira. De acordo com moradores ouvidos pela agência Associated Press, as forças de segurança também teriam atirado para cima para assustar os cerca de 4 mil manifestantes que pediam mais liberdades políticas.

A TV estatal síria negou que as forças tenham tentado reprimir os protestos, os mais recentes em uma onda de manifestações que começou há mais de uma semana em Deraa e se espalhou para outras cidades na sexta-feira.

AP
Homem reza ao lado do irmão, que ficou gravemente ferido durante protesto antigoverno reprimido por forças de segurança em Latakia, na Síria (27/03)

O governo sírio tem respondido com violência aos protestos, e os confrontos teriam deixado ao menos 61 mortos desde 18 de março, segundo a organização Human Rights Watch. Fontes ligadas à oposição dizem que o número de mortos é ainda maior e passa de cem.

Na cidade de Latakia, o Exército está nas ruas e cerca as sedes do partido Baath e do Banco Central. Em vilarejos próximos à entrada da cidade, moradores armados estariam bloqueando estradas e revistando todos que tentassem passar.

"Eles estão aterrorizando as pessoas", afirmou um morador ouvido pela agência Associated Press. "São cidadãos comuns que estão querendo tomar o lugar das forças de segurança. Isso é muito perigoso."

A onda de protestos é considerada um dos maiores desafios enfrentados pelo presidente Bashar Al-Assad desde que ele assumiu o governo, no ano 2000. Al-Assad deve fazer um pronunciamento nesta segunda ou na terça-feira para tentar conter as manifestações.

A expectativa é a de que ele anuncie que o governo vai levantar o estado de emergência vigente no país há 50 anos, além de prometer estudar o fim de outras restrições às liberdades civis e políticas.

A crise começou na sexta-feira passada (18), quando moradores de Deraa protestaram contra a detenção de 15 crianças por terem escrito frases contra o governo em um muro. Na quarta-feira (23), violentos confrontos aconteceram depois que as forças de segurança ameaçaram invadir uma mesquita. A justificativa era a de que a mesquita estava sendo usada por gangues para estocar arma e transformar crianças em escudos humanos.

Centenas de pessoas se reuniram no local para impedir a invasão. Há relatos de que as forças de segurança dispararam indiscriminadamente contra a multidão, o que governo nega. O regime tem atribuído os atos de violência a "desordeiros" que desejam espalhar o pânico entre a população e prometeu investigar as mortes.

Com AP e BBC

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