Forças da Síria detêm dezenas e disparam contra manifestantes

Segundo testemunhas, governistas voltaram a abrir fogo durante protestos e detiveram organizadores em várias cidades

iG São Paulo |

Testemunhas disseram que as forças de segurança da Síria voltaram a abrir fogo contra manifestantes em diversas áreas do país neste domingo. Também há relatos de que dezenas de pessoas e uma delas teria sido morta na cidade de Jeblah.

Vídeos divulgados na internet neste domingo indicam que protestos contra o governo continuam acontecendo no país, assim como confrontos entre manifestantes e forças de segurança. As informações não puderam ser verificadas de forma independente pela imprensa internacional por causa das restrições ao trabalho dos jornalistas estrangeiros na Síria.

Testemunhas disseram que os detidos são suspeitos de organizar os protestos de sexta-feira e sábado , durante os quais acredita-se que mais de cem manifestantes tenham morrido.A agência oficial de notícias síria responsabiliza gangues de criminosos pela violência no país.

'Carnificina'

O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch pediu sanções internacionais às autoridades da Síria responsáveis pelo assassinato de ativistas de oposição. A entidade, com sede nos Estados Unidos, pediu ainda uma investigação independente sobre os episódios.

"Depois da carnificina de sexta-feira, não é mais suficiente condenar a violência", disse o vice-diretor do Human Rights Watch para o Oriente Médio e o norte da África, Joe Stork, em um comunicado. "Em face à estratégia de 'atirar para matar' das autoridades sírias, a comunidade internacional precisa impor sanções àqueles que ordenaram os disparos contra os manifestantes", afirmou.

Outros grupos, incluindo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (com base na Grã-Bretanha) e a Comissão Internacional de Juristas (sediada na Suíça), também pediram investigações a respeito das mortes.

AFP
Manifestante em Banias, na Síria, mostra cartaz que diz: "Não ao terrorismo. Queremos liberdade" (23/04)

Os protestos da última sexta-feira foram os mais sangrentos na Síria desde o início das manifestações contra o governo do presidente Bashar Al-Assad, deixando entre 70 e 100 manifestantes mortos.

O episódio causou forte reação dentro e fora do país. Neste domingo, o ministro do Exterior da Grã-Bretanha, William Hague, pediu que os cidadãos britânicos deixem a Síria o mais rápido possível, devido à deterioração progressiva da segurança no país. Hague também condenou a violência crescente no país árabe e disse estar espantado com a matança de manifestantes.

No sábado, dois integrantes do Parlamento sírio renunciaram, em protesto pelas mortes. Ambos os parlamentares são da cidade de Deraa, palco de diversas mortes na sexta-feira.

Com BBC

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