Forças atacam manifestantes em Homs, após governo sírio denunciar 'insurreição armada'

Durante a madrugada, governistas invadiram Praça do Relógio, a principal da cidade, onde milhares estavam acampados

iG São Paulo |

AP
Imagem de celular feita por manifestante e divulgada pela agência AP mostra manifestação em Homs (18/04)

Forças de segurança da Síria abriram fogo nesta terça-feira para dispersar uma manifestação contra o governo na terceira maior cidade do país, Homs, de acordo com testemunhas. A intervenção ocorreu horas depois de o Ministério do Interior ter dito que os protestos contra o governo de Bashar al-Assad eram uma "insurreição armada" que não seria tolerada.

Ao menos cinco mil manifestantes haviam ocupado a Praça do Relógio, a principal de Homs, na segunda-feira, após os funerais de 12 pessoas que foram mortas durante protestos no fim de semana.

Os manifestantes estocaram comida e suprimentos, ergueram postos de checagem em torno da praça para, segundo eles, impedir a entrada de pessoas armadas no local. Um dos manifestantes disse que a praça tinha sido rebatizada Tahrir, nome da praça que foi o epicentro dos protestos no Cairo que derrubaram o presidente egípcio Hosni Mubarak.

Durante a madrugada desta terça-feira, as forças de segurança entraram na praça e atiraram contra os manifestantes. Ainda não está claro se a repressão ao protesto deixou vítimas.

Os protestos contra o governo sírio se intensificaram em Homs depois que as autoridades entregaram o corpo do líder tribal Abu Moussa, no sábado. Ele teria sido morto enquanto estava preso.

Walid Saffour, presidente do Comitê dos Direitos Humanos da Síria, organização baseada em Londres, disse à BBC que acredita que Abu Moussa tenha sido torturado. "A barba dele estava queimada e ele morreu sob tortura em uma das agências de segurança de Homs, provavelmente em uma agência de segurança militar", disse.

Segundo o ativista, depois que o corpo de Abu Moussa foi levado para o sepultamento no cemitério da cidade, "muitas pessoas foram para as ruas de Homs, gritando e pedindo por liberdade e até por uma mudança no sistema".

Saffour afirma que o governo deve ser responsabilizado pelas mortes dos cidadãos sírios. "É um genocídio e um massacre contra a humanidade", disse.

Reformas

Os protestos são o maior desafio ao governo do presidente Bashar al-Assad desde que ele sucedeu seu pai no poder, há 11 anos. No sábado, Assad prometeu reformas no país como forma de acalmar os manifestantes e afirmou que deve revogar nos próximos dias o estado de emergência que vigora na Síria há quase 50 anos.

Parte dos manifestantes diz que as concessões feitas pelo governo até agora são insuficientes. Já a agência oficial de notícias síria Sana chegou a noticiar que "a calma prevalece" na maior parte do país, refletindo a suposta "satisfação popular" com as reformas de Assad.

A agência relatou, no entanto, que três oficiais do Exército, incluindo um general, com seus dois filhos e um sobrinho, foram vítimas de uma emboscada. Eles teriam sido mortos no domingo por "gangues criminosas" e teriam sido mutilados.

Em uma declaração, o Ministério do Interior sírio disse: "O curso de eventos anteriores (...) revelou que eles são parte de uma insurreição orquestrada por grupos armados pertencentes a organizações salafistas, especialmente em Homs e Banias (outra cidade que teve protestos antigoverno no domingo)". O Ministério disse ainda que as ações não serão toleradas.

Analistas dizem que a atribuição dos protestos a salafitas, um grupo islâmico sunita visto como extremista, é uma ameaça aos protestos pacíficos.

Os Estados Unidos também se mostraram preocupados com a reposta síria às manifestações. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado americano Mark Toner, o presidente Assad está enfrentando "um empurrão de seu próprio povo para se mover para uma direção mais democrática" e disse que o governo "precisa lidar com as legítimas aspirações de seu povo".

Com BBC

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