Forças aliadas mantêm ofensiva e Kadafi promete resistir

EUA dizem que zona de exclusão está 'em vigor' na Líbia e Khadafi promete armar população contra 'colonialismo'

iG São Paulo |

Reuters
Veículos das forças leais ao líder Muamar Kadafi explodem depois de ataque aéreo das forças de coalizão em uma estrada entre Benghazi e Ajdabiyah
Um dia depois de forças europeias e americanos terem começado a ampla operação "Odisseia do Amanhecer" contra o regime de Muamar Kadafi, o líder líbio fez um novo discurso desafiador no domingo, prometendo retaliação e dizendo que a Líbia está preparada para manter uma "longa guerra". "Prometemos uma guerra longa e extensa sem limites", disse. "Vamos lutar palmo a palmo."

Há informações de que as forças aliadas mantêm a pressão sobre o líder líbio neste domingo. Citado pela France Presse, Kenneth Fidler, um porta-voz do Comando África dos EUA (Africom) em Stuttgart, Alemanha, afirmou que pelo menos 19 aviões americanos, entre eles três bombardeiros furtivos B2 ("Stealth bomber"), atacaram alvos na Líbia neste domingo durante o amanhecer.

De acordo com correspondentes da AFP e rebeldes, dezenas de veículos militares de Kadafi, entre eles tanques, foram destruídos neste domingo por bombardeios aéreos no oeste de Benghazi, reduto dos rebeldes. Tanques destruídos, canhões de artilharia queimados e corpos de membros das forças pró-Kadafi eram visíveis no local bombardeado, situado a cerca de 35 a oeste de Benghazi.

O governo líbio diz que os bombardeios deixaram 64 mortos e mais de 150 feridos, mas a informação não foi verificada independente. Os EUA disseram que não têm registro de mortos.

Em um discurso transmitido pela televisão estatal líbia, Kadafi prometeu uma vitória contra o que chamou de "novo nazismo" e disse que está "armando todos os líbios".

"Estamos em nossa terra. Os líbios estão unidos atrás de um comando unificado. Lutaremos em uma frente ampla", disse Kadafi, que qualificou os líderes aliados de "selvagens e criminosos".

No sábado à noite, ele acusou as potências ocidentais de "colonialismo" e pediu ao povo que empunhe armas para defender a revolução que ele lidera.

"Essa agressão só torna o povo líbio mais forte e consolida sua vontade", disse. Contra os inimigos, disse, o regime abrirá "os depósitos de armas para defender a unidade, soberania e poder da Líbia".

Sucesso inicial

Segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, o almirante Michael Mullen, o início da operação internacional destinada a destruir as defesas aéreas do regime líbio e estabelecer uma zona de exclusão aérea no país "teve êxito" e interrompeu a ofensiva do governo sobre Benghazi.

Ao programa "The Week", Mullen disse as tropas leais a Kadafi "já não estão marchando sobre Benghazi". Os comentários foram feitos depois depois de barcos de guerra americanos e um submarino britânico dispararem ao menos 110 mísseis de cruzeiro Tomahawk na Líbia contra locais de defesa antiaérea do regime líbio.

O Conselho de Segurança da ONU autorizou na quinta-feira o uso da força e a imposição de uma zona de exclusão aérea para proteger a população líbia da contraofensiva lançada por Kadafi contra a rebelião que, desde meados de fevereiro, tomou o controle de várias cidades.

Plano de ação da Otan

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve aprovar neste domingo os planos de operação na Líbia para respeitar o embargo internacional de armas, garantir a zona de exclusão aérea e realizar trabalhos humanitários, disseram fontes da Aliança.

Reuters
Rebelde observa carro das forças de Kadafi destruído por ataque da coalizão em estrada entre Benghazi e Ajdabiyah
Os detalhes operacionais, que neste domingo serão discutidos pelas autoridades militares e, em seguida, analisados pelo Conselho Atlântico, são "praticamente a última fase antes de aplicar um plano militar", afirmaram as fontes.

Uma vez aprovados tais detalhes, só ficará pendente a decisão sobre uma intervenção militar da Otan, que, a princípio, deve ser discutida na segunda-feira. Os militares e embaixadores dos 28 países aliados estão reunidos durante todo o fim de semana, completando o planejamento de uma eventual intervenção militar na Líbia.

A Otan considera que a aprovação na última quinta-feira da resolução 1973 do Conselho de Segurança deixa aberta qualquer opção para a aplicação do bloqueio aéreo por organizações e pela própria Aliança Atlântica ou ainda pelos Estados, individualmente.

Reforço francês

O porta-aviões francês "Charles de Gaulle" deve participar das operações aéreas na Líbia e zarpou neste domingo da base naval de Toulon (sul), segundo a AFP. Com uma tripulação a bordo de 2 mil marinheiros, o porta-aviões deve se dirigir para a costa líbia. Segundo uma fonte militar, ele deve chegar à região de operações dentro de 36 a 48 horas.

"O porta-aviões levaria 24 horas para chegar à costa líbia, mas deverá levar de 36 a 48 horas, pois é necessário tempo para embarcar os aviões-caça que participarão das operações e proceder com os exercícios de aterrissagem", segundo essa fonte.

O buque deve transportar em torno de 20 aviões, incluindo cerca de 15 caças. A frota também terá a proteção de um submarino nuclear de ataque, informou outra fonte militar.

*AFP e New York Times

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