Forças aliadas intensificam ataques à Líbia

Há informações de que a capital da Líbia, Trípoli, foi atacada durante a noite. Regime de Kadafi anuncia novo cessar-fogo

iG São Paulo |

Reuters
Veículos das forças leais ao líder Muamar Kadafi explodem depois de ataque aéreo das forças de coalizão em uma estrada entre Benghazi e Ajdabiyah

Fortes explosões foram ouvidas na capital da Líbia, Trípoli, disseram testemunhas, enquanto forças aliadas intensificaram suas operações militares para estabelecer uma zona de exclusão aérea prevista em resolução aprovada na quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU. A ofensiva, liderada por EUA, Reino Unido e França, conta também com a participação de Canadá, Catar, Espanha e Itália.

De acordo a agência AP, baterias antiaéreas abriram fogo na zona da residência do líder líbio, Muamar Kadafi, no segundo dia da operação "Odisseia do Amanhecer". Um porta-voz do Exército dos EUA, disse que a coalizão não tem como alvo Kadafi ou sua residência, mas que sua segurança não pode ser garantida. Após a nova rodada de ataques, um porta-voz do Exército líbio informou que o regime de Kadafi anunciou um novo cessar-fogo.

Em uma declaração no Pentágono neste domingo, o diretor do Estado-Maior Conjunto dos EUA, William Gortney, disse que a ofensiva aliada "foi muito efetiva", não tendo sido detectada nenhuma atividade aérea da Líbia. Segundo ele, a capacidade de defesa antiaérea líbia foi "fortemente atingida" pelos ataques de aviões e mísseis da coalizão, o que permite a instalação "efetiva" de uma zona de exclusão aérea sobre o país, como determina a resolução da ONU.

"Benghazi (reduto da oposição e epicentro dos protestos no leste do país) não está completamente protegida de ataques das forças de Kadafi, mas certamente está sob menor ameaça do que ontem (sábado)", afirmou. "Acreditamos que as forças de Kadafi estão sob estresse considerável e sofrendo com isolamento e confusão", acrescentou.

Em meio à ofensiva aliada, o governo líbio anunciou na noite deste domingo um novo cessar-fogo em resposta a um pedido da União Africana (UA) e em conformidade com a resolução do Conselho de Segurança da ONU, informou a rede de televisão "Al-Arabiya". Essa é a terceira vez em quatro dias que o regime líbio anuncia um cessar-fogo, para depois ser acusado pelas forças aliadas de o terem violado.

Ataques pela manhã

Mais cedo, pelo menos 19 aviões americanos, entre eles três bombardeiros furtivos B2 ("Stealth bomber"), atacaram alvos na Líbia durante o amanhecer. De acordo com a rede de televisão CBS, os bombardeiros lançaram 40 bombas contra uma grande base aérea líbia .

Um dia depois de forças europeias e americanos terem começado a operação, o líder líbio fez um novo discurso desafiador, prometendo retaliação e dizendo que a Líbia está preparada para manter uma "longa guerra". "Prometemos uma guerra longa e extensa sem limites", disse. "Vamos lutar palmo a palmo."

De acordo com correspondentes da AFP e rebeldes, dezenas de veículos militares de Kadafi, entre eles tanques, foram destruídos por bombardeios aéreos no oeste de Benghazi. Tanques destruídos, canhões de artilharia queimados e corpos de membros das forças pró-Kadafi eram visíveis no local bombardeado, situado a cerca de 35 a oeste de Benghazi.

O governo líbio diz que os bombardeios deixaram 64 mortos e mais de 150 feridos, mas a informação não foi verificada de forma independente. Os EUA disseram que não têm registro de mortos. "Não há indícios de vítimas civis", disse neste domingo o almirante americano Gortney.

Em um discurso transmitido pela televisão estatal líbia, Kadafi prometeu uma vitória contra o que chamou de "novo nazismo" e disse que está "armando todos os líbios".

"Estamos em nossa terra. Os líbios estão unidos atrás de um comando unificado. Lutaremos em uma frente ampla", disse Kadafi, que qualificou os líderes aliados de "selvagens e criminosos".

No sábado à noite, ele acusou as potências ocidentais de "colonialismo" e pediu ao povo que empunhe armas para defender a revolução que ele lidera.

"Essa agressão só torna o povo líbio mais forte e consolida sua vontade", disse. Contra os inimigos, disse, o regime abrirá "os depósitos de armas para defender a unidade, soberania e poder da Líbia".

Sucesso inicial

Segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, o almirante Michael Mullen, o início da operação internacional destinada a destruir as defesas aéreas do regime líbio e estabelecer uma zona de exclusão aérea no país "teve êxito" e interrompeu a ofensiva do governo sobre Benghazi.

Ao programa "The Week", Mullen disse as tropas leais a Kadafi "já não estão marchando sobre Benghazi". Os comentários foram feitos depois de barcos de guerra americanos e um submarino britânico dispararem no sábado ao menos 110 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra locais de defesa antiaérea do regime líbio.

Reuters
Rebelde observa carro das forças de Kadafi destruído por ataque da coalizão em estrada entre Benghazi e Ajdabiyah
O Conselho de Segurança da ONU autorizou na quinta-feira o uso da força e a imposição de uma zona de exclusão aérea para proteger a população líbia da contraofensiva lançada por Kadafi contra a rebelião que, desde meados de fevereiro, tomou o controle de várias cidades.

Plano de ação da Otan

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pode aprovar neste domingo os planos de operação na Líbia para respeitar o embargo internacional de armas, garantir a zona de exclusão aérea e realizar trabalhos humanitários, disseram fontes da Aliança.

Os detalhes operacionais, que neste domingo serão discutidos pelas autoridades militares e, em seguida, analisados pelo Conselho Atlântico, são "praticamente a última fase antes de aplicar um plano militar", afirmaram as fontes.

Uma vez aprovados tais detalhes, só ficará pendente a decisão sobre uma intervenção militar da Otan, que, a princípio, deve ser discutida na segunda-feira. Os militares e embaixadores dos 28 países aliados estão reunidos durante todo o fim de semana, completando o planejamento de uma eventual intervenção militar na Líbia.

A Otan considera que a aprovação na última quinta-feira da resolução 1973 do Conselho de Segurança deixa aberta qualquer opção para a aplicação do bloqueio aéreo por organizações e pela própria Aliança Atlântica ou ainda pelos Estados, individualmente.

*AP, AFP e New York Times

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