Força Aérea de Kadafi foi derrotada, diz comandante britânico

Coalizão lança ataques aéreos perto da cidade de Misrata, a 200 km ao leste de Trípoli, que está em poder de rebeldes

iG São Paulo |

AFP
Rebeldes líbios fazem o V da vitória enquanto pegam munição de tanque não identificado perto da cidade de Ajdabiya
O comandante da aviação britânica que opera sobre a Líbia, o marechal Greg Bagwell, afirmou nesta quarta-feira que a Força Aérea do coronel Muamar Kadafi "não mais existe como força de combate". Segundo o militar, os aliados operam agora quase "impunemente" sobre os céus do país do norte da África.

Ele também disse que a coalizão internacional está aplicando uma pressão implacável sobre as Forças Armadas do líder líbio. "Estamos cuidando dos inocentes do país e garantindo que estão protegidos dos ataques", disse Bagwell durante visita a membros da Força Aérea Real britânica com base em Gioia del Colle, no sul da Itália.

"As forças terrestres líbias estão sob constante observação e as atacaremos sempre que ameacem civis ou ataquem os centros populacionais."

Seus comentários foram feitos enquantos os líderes ocidentais debatem quem lidera a intervenção, com os EUA tentando passar a tarefa para a Organização do Atlântico Norte (Otan). Durante coletiva na última etapa de seu giro latino-americano, o presidente dos EUa, Barack Obama, afirmou na terça-feira em El Salvador não ter nenhuma dúvida de que os EUA poderão transferir a uma coalizão internacional o controle da operação na Líbia dentro de alguns dias.

A aviação ocidental fez mais de 300 voos sobre a Líbia em dias recentes, e mais de 162 mísseis de cruzeiro Tomahawk foram lançados contra alvos no país.

Bombardeios em Misrata

Nesta quarta-feira, as forças da coalizão internacional lançaram ataques aéreos perto da cidade de Misrata, a 200 km ao leste de Trípoli, que está em poder de rebeldes na Líbia. As forças leais a Kadafi se retiraram momentaneamente dos arredores da cidade.

Testemunhas afirmaram, porém, que ainda havia franco-atiradores disparando contra a população de tetos de casas e prédios dentro de Misrata. Forças de Kadafi também retomaram ataques na cidade de Zintan, perto da fronteira com a Tunísia, segundo testemunhas.

Os rebeldes em Misrata, isolados do resto do território em mãos revolucionárias, resistiram nos últimos dias à artilharia das tropas de Kadafi, reforçada por carros de combate e pelos franco-atiradores que impedem qualquer movimento de civis e milicianos.

Segundo um médico do hospital da cidade, os ataques de kadafi deixaram 17 mortos na terça-feira, incluindo cinco crianças. "O dia de ontem foi desastroso. Tivemos o sentimento de que era o final", disse o médico, que pediu anonimato.

As forças internacionais lançam ataques contra a Líbia desde sábado. A coalizão age sob o mandato do Conselho de Segurança, que aprovou a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre o país, para proteger a população civil.

Na TV

Horas antes, Kadafi fez sua primeira aparição em público desde o início da ofensiva ocidental e prometeu derrotar as tropas da coalizão estrangeira. “No curto prazo, venceremos. No longo prazo, venceremos”, disse Kadafi, em uma suposta aparição ao vivo na TV estatal do país, feita em Bab Al-Aziziya, local perto de Trípoli que foi bombardeado recentemente pelas tropas estrangeiras. “Seremos vitoriosos no final.”

Em discurso de três minutos, feito de uma sacada diante de simpatizantes, Kadafi disse que a “mais poderosa defesa aérea” de seu país “é o povo”. “Aqui está o povo. Kadafi está no meio do povo. Essa é a defesa aérea.”

O líder líbio se disse vítima de uma “nova cruzada” lançada “contra o islã”. “Todos os exércitos islâmicos devem tomar parte na batalha. Seremos vitoriosos no final”, agregou.

*Com BBC, EFE e AFP

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