Filho de Kadafi teria sido traído por seu guia no deserto

Yussef Saleh al-Hotmani, dono de agência de turismo, ajudou os combatentes do sul da Líbia a capturarem Saif al-Islam

iG São Paulo |

O filho do ex-líder líbio Muamar Kadafi que ainda estava foragido na Líbia, Saif al-Islam Kadafi , foi traído e levado a seus captores por um nômade líbio que diz ter sido contratado para ajudá-lo a escapar para o Níger com a promessa de receber 1 milhão de euros.

Reuters
Yussef Saleh al-Hotmani veste bandeira da Líbia ao posar para foto

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Procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), Saif al-Islam foi capturado no fim de semana , no que um oficial do novo governo do país descreveu como "o capítulo final do drama da Líbia". Nessa terça-feira, o procurador-chefe do TPI permitiu que o filho de Kadafi seja julgado na Líbia , mas que juízes da corte de Haia estarão envolvidos no caso.

O TPI, sediado em Haia, na Holanda, também acusou o ex-chefe de inteligência de Kadafi, Abdullah al-Senoussi, de crimes contra a humanidade. Autoridades da Líbia afirmam que al-Senoussi foi capturado no final de semana e está detido na cidade de Sabha, embora o premiê interino não confirme essa informação.

Com um lenço preto enrolado na cabeça, Yussef Saleh al-Hotmani disse que entrou em contato com combatentes no sul da Líbia para informá-los quando o grupo de Saif, composto por dois carros, estaria passando pela região na noite de 18 de novembro.

"Eu fiz Saif acreditar que eu confiava nele", disse ele na terça-feira em Zintan, onde Saif al-Islam está detido em um local secreto antes que os detalhes da sua acusação sejam finalizados.

Na noite da captura de Saif al-Islam, Hotmani disse que estava viajando com o guarda pessoal mais jovem de Kadafi no primeiro carro do comboio. "Eu tinha combinado com os combatentes (que capturaram Saif al-Islam) que o melhor lugar para a emboscada seria uma parte do deserto que era rodeada por terrenos altos", explicou.

Dez combatentes de Zintan, situada nas montanhas ocidentais, e cinco da própria tribo de Hotmani, a al-Hotman, estavam à espera. "Quando nós chegamos no local escuro, o tiroteio foi muito preciso, levou apenas cerca de meio minuto para capturar o primeiro carro", disse ele, acrescentando que tinha intencionalmente dito ao comboio de Saif al-Islam para deixar um espaço de 3 km entre os veículos.

Com isso, ele daria aos combatentes tempo para se reagruparem e para Hotmani se juntar a eles. "Quando o segundo carro chegou, começamos a atirar com muita precisão, para danificar o veículo para que ele não pudesse escapar."

Saif al-Islam, vestido com uma túnica longa e um lenço de cabeça marrom em volta do rosto, pulou para fora do carro, tentou fugir, mas foi capturado, contou Hotmani. "Nós o tratamos como um prisioneiro de guerra", disse.

'Filho do deserto'

O nômade do Saara, que se autodenomina o "filho do deserto", recusou-se a dar detalhes sobre quando ou como ele contatou os 15 combatentes do governo interino que pegou Saif al-Islam. "Tenho certeza que (Saif al-Islam e seus guardas) estavam planejando me executar quando chegássemos à fronteira. Eles tinham duas pistolas, duas granadas, uma faca e algemas. Eles estavam prontos para me executar se tivessem alguma dúvida", explicou Hotmani.

Os soldados aliados ao Conselho Nacional de Transição (CNT) que pegaram Saif al-Islam se referiram a Hotmani como um "herói".

Foram encontrados menos de US$ 5 mil nos dois carros e Hotmani disse que não havia recebido um centavo do 1 milhão de euros prometido a ele.

Não está claro por que Saif al-Islam confiou no dono de uma pequena agência de turismo e o contratou como guia no deserto. Saif perdeu o pai e três irmãos na guerra que acabou com o governo de sua família na Líbia. "Saif estava sonhando em deixar a Líbia e depois eventualmente retornar", disse Hotmani.

Último Kadafi foragido

Saif, o último filho foragido do ex-líder da Líbia, foi detido no sábado pelo combatentes do CNT. Ele foi apresentado durante muito tempo como o provável sucessor de Kadafi. Segundo chefes militares do CNT, há um mês Saif, 39, ficou ferido no bombardeio contra seu comboio quando deixava Bani Walid (170 km a sudeste de Trípoli) na queda desse bastião kadafista em meados de outubro.

Desde 27 de junho, Saif era alvo de uma ordem de captura do TPI por suspeitas de crimes contra a humanidade. Ele é acusado de ter tido "um papel-chave para executar um plano" concebido por seu pai para "reprimir por todos os meios" o levante popular.

Saif apareceu em público pela última vez na noite de 22 de agosto quando a rebelião o dava como capturado. O filho de Kadafi apareceu diante de jornalistas estrangeiros assegurando que tudo estava "bem" em Trípoli, algumas horas antes da queda do quartel-general de seu pai na capital líbia.

O conflito na Líbia terminou em 23 de outubro com a proclamação da "libertação total" do país , três dias depois da morte de Kadafi.

Com Reuters e AP

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