Filho de Kadafi está no Níger, diz ministro

Segundo ministro da Justiça do Níger, Saadi está se dirigindo à capital do país, Niamey. Já Kadafi está escondido na Líbia

iG São Paulo |

Um dos filhos de Muamar Kadafi, líder deposto da Líbia, encontra-se no norte do Níger, de acordo com o ministro da Justiça do país. Segundo a autoridade do país africano, Saadi Kadafi se dirige com um comboio com outras dez pessoas à capital, Niamey. Já Kadafi continuaria na Líbia , onde estaria escondido.

Reuters
Saadi Kadafi, filho do coronel líbio, se refugiou no Níger com grupo (foto de arquivo)

Na sexta-feira, o governo do Níger disse que a nação africana respeitaria seus compromissos para com o Tribunal Penal Internacional (TPI) se Kadafi ou seus filhos entrassem no país. Em junho, o TPI emitiu ordens de prisão contra Kadafi, seu filho Saif al-Islam e contra Abdullah al Senusi, chefe da inteligência militar do regime. Saadi, porém, não tem mandado de prisão emitido pelo tribunal, que na sexta-feira teve pedido seu de ajuda acatado pela Interpol .

Além de Saadi, outros cerca de 20 integrantes do regime líbio conseguiram se refugiar na capital nigerina . Eles estão "sob controle" do governo local e serão tratados de acordo com leis internacionais, segundo o governo Níger. Também terão a liberdade de ir embora se quiserem. Como a fronteira desértica entre Líbia e Níger não pode ser fechada, "não é impossível que líbios cruzem como refugiados", disse o ministro das Relações Exteriores do Níger.

A mulher de Kadafi, Saifa, e seus filhos Hannibal e Muhammad buscaram refúgio na Argélia. A filha Aisha também está no país vizinho, onde deu à luz um dia após sua fuga.

Situação na Líbia

Duas semanas após a tomada de Trípoli , a maior parte da Líbia está sob controle do Conselho Nacional de Transição (CNT), que comanda as forças rebeldes. Há, no entanto, focos de resistência. Forças leais a Kadafi ainda tomam conta das cidades de Bani Walid, Sabha e Sirte, agora sitiadas pelos rebeldes.

No início de setembro, fontes ligadas ao CNT relataram que Saadi Kadafi teria entrado em contato com os rebeldes para negociar um cessar-fogo na Líbia.

Até a queda de Kadafi, Saadi era o presidente da Federação Líbia de Futebol. Antes, ele chegou a ser capitão da seleção líbia e teve uma rápida carreira como jogador profissional na Itália. Saadi também investia na produção de filmes na Líbia.

No sábado, venceu o ultimato dado pelo CNT para a rendição de Bani Walid, o que desencadeou uma ação militar contra a cidade. Os combatentes anti-Kadafi estimaram que em poucas horas tomariam o centro da cidade, mas parecem ter encontrado muito mais resistência do que o esperado inicialmente.

O correspondente da BBC Andrew Harding, que está perto da cidade, disse que a situação em Bani Walid é caótica e a batalha tende a ser bastante dura. No sábado, a cidade também foi alvo de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte, com o objetivo de ajudar o avanço das forças opositoras.

Em Sirte, cidade natal de Kadafi, os combatentes de oposição tiveram de recuar no sábado, após terem sofrido inúmeras baixas, informou a agência Associated Press.

Em sua primeira visita à capital Trípoli desde a tomada da cidade, o presidente do CNT, Mustafa Abdul-Jalil, disse a simpatizantes que o momento é de união, e não de vingança. “Não é tempo de retaliação. Muitos direitos foram perdidos (no regime de Kadafi) e há muitas tragédias em que poderíamos insistir, mas não é a hora. A hora é de nos unirmos”, declarou.

Observadores apontam que um dos maiores desafios de Abdul-Jalil é estabilizar a Líbia e tentar formar um governo efetivo nacional, que seja reconhecido pelos líbios. No front externo, o CNT já foi reconhecido como legítimo por cerca de 60 países e por instituições como o FMI.

*Com Reuters e BBC Brasil

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