Ferido, líder do Iêmen ordena combate de 'gangues' que atacaram palácio

Em curta mensagem de áudia, Saleh fala com uma voz forçada e respiração pesada depois de ter sido ferido em ataque com foguetes

iG São Paulo |

Em uma curta mensagem de áudio, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, ordenou as Forças Armadas em todo o país a combater as "gangues de foras da lei" que lançaram foguetes contra o palácio presidencial em um ataque nesta sexta-feira na capital do país, Sanaa.

No áudio, divulgado oito horas depois de ter ficado ferido no ataque , Saleh fala com uma voz forçada, com a respiração em alguns momentos pesada. Previamente, autoridades afirmaram repetidamente que Saleh, com idade estimada em quase 70 anos, daria uma coletiva. Mas não foram divulgadas imagens ao vivo de Saleh paralelamente à mensagem gravada, somente uma foto antiga.

"Se vocês estão bem, estou bem", disse Saleh aos iemenitas. Ele responsabilizou "essa gangue armada de foras da lei", referindo-se a combatentes tribais, conclamando "todos os filhos do Exército de todo o país a confrontá-los".

EFE
Milhares de partidários do líder opositor Sadeq al-Ahmar participam de funeral de homem morto durante confrontos na capital do Iêmen, Sanaa

O ataque desta sexta-feira, o primeiro de militantes da oposição contra o palácio presidencial em quase duas semanas de pesados confrontos com os soldados do governo em Sanaa, matou sete guardas e feriu oito autoridades do regime. A violência ocorre em quase quatro meses de protestos que fracassaram em depor o líder iemenita, há 33 anos no poder.

O ataque foi um impressionante golpe contra a liderança de Saleh, atingindo uma mesquita no complexo do palácio presidencial onde ele e autoridades graduadas rezavam. Saleh foi levado para um hospital do Ministério da Defesa, e a extensão de seus ferimentos não ficou clara.

A televisão estatal apressou-se em afirmar que Saleh estava bem, desmentindo uma informação prévia do canal Suheil, controlado pela oposição, de que ele teria morrido. "O presidente Saleh foi levemente ferido atrás da cabeça", afirmou uma fonte do Congresso Popular Geral (CPG), partido governista.

Outro disse que ele tinha sido ferido levemente no pescoço, enquanto o vice-ministro da Informação Abdu al-Janadi mencionou apenas "arranhões em seu rosto". "Sua Excelência, o presidente, está em boa saúde e adiou (uma prevista) coletiva de imprensa por causa dos ferimentos. Ele se recuperará", disse Janadi. "Não há nada que afete sua saúde", disse, acrescentando que uma investigação sobre o ataque foi iniciada. 

A Casa Branca condenou firmemente a violência no país, incluindo o ataque ao palácio. "Pedimos a todas as partes o fim imediato das hostilidades e a implantação de um processo ordenado e pacífico de transferência de poder político como estipula o acordo" do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).

O governo americano teme que o caos prejudice a campanha do governo, apoiada por Washington, contra o braço da Al-Qaeda no país, que tentou lançar vários ataques contra os EUA. Saleh tem sido um aliado crucial dos EUA na campanha antiterror, mas agora a administração de Barack Obama tenta negociar uma saída estável para ele.ng to turn the popular uprising into a personal conflict.

Entre as oito outras autoridades feridas no ataque ao palácio estão o primeiro-ministro, o vice-primeiro-ministro, o presidente do Parlamento, um assessor presidencial e o governador de Sanaa.

"O primeiro-ministro e o presidente do Parlamento, assim como várias personalidades políticas, que assistiam à oração de sexta-feira na mesquita do palácio presidencial, foram feridos pelos disparos", declarou o porta-voz do Congresso Popular Geral (CPG), Tarek Shami.

Uma fonte ligada à presidência informou à AFP que o ministro da Defesa iemenita, general Rashad al-Alimi, foi gravemente ferido e internado.

O palácio presidencial foi atingido no momento em que os confrontos nas ruas do país, ameaçado por uma possível guerra civil, espalham-se para novas partes da capital.

Após quatro meses de protestos populares violentamente reprimidos pelo regime de Saleh, que se nega a deixar o poder, a revolta adquiriu outra magnitude em 23 de maio com o início de combates intensos em Sanaa entre forças leais ao presidente e partidários do xeque Sadeq Al-Ahmar, líder do poderoso clã Hashid, que se uniu à oposição.

AP
Fogo e fumaça são vistos durante confrontos entre combatentes leais ao xeque Sadeq al-Ahmar, da confederação Hashid, e as forças de segurança em Sanaa, Iêmen (02/06/2011)
As batalhas em Sanaa deixaram ao menos 155 mortos nos últimos dez dias, indicando uma escalada na revolta pelo fim do governo de três décadas de Saleh. Cerca de 370 morreram no empobrecido país desde o início das manifestações, em janeiro.

Também nesta sexta-feira, centenas compareceram ao funeral de 50 pessoas mortas nos conflitos entre o governo e os combatentes tribais. Os dois lados haviam negociado um cessar-fogo na última sexta-feira.

*Com AP, BBC, AFP e Reuters

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