Ex-presidente egípicio Hosni Mubarak pode ser condenado à forca

Procuradoria pede que ex-presidente seja transferido de centro em Sharm el-Sheikh para hospital militar

iG São Paulo |

O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, detido nesta semana pela polícia, pode ser condenado à forca. O jornal oficial Al Ahram citou nesta sexta-feira uma declaração do presidente da corte de apelações do Cairo, Zakaria Chalach, afirmando que Mubarak pode ser executado se for considerado culpado de ter provocado a morte dos manifestantes de maneira premeditada.

Chalach indicou ainda que o depoimento do ex-ministro do Interior de Mubarak, Habib Al Adli, também acusado de ordenar os disparos contra os manifestantes, o transforma em cúmplice se confirmado. Segundo o magistrado, Adli afirmou que Mubarak ordenou que ele usasse a força contra os protestos. "Se isso for provado, (Mubarak) receberá a mesma pena que a pessoa que coordenou (a repressão), e pode ser uma execução se demonstrarmos que os manifestantes pacíficos foram mortos de maneira premeditada", disse.

Se não tiver havido premeditação, o ex-presidente será condenado à prisão perpétua. Entretanto, se o tribunal concluir que as ordens de Mubarak levaram os agentes repressores apenas a ferir os manifestantes, ele pode ser sentenciado a três ou cinco anos de prisão.

Mubarak e seus filhos Gamal e Alaa foram detidos na quarta-feira por 15 dias como parte de uma investigação judicial sobre a repressão contra os manifestantes que derrubaram seu regime, após uma mobilização massiva entre janeiro e fevereiro, em que 800 morreram.

Hospital

Também nesta quinta-feira, o Ministério Público egípcio pediu que Mubarak seja transferido de um hospital civil de Sharm el-Sheikh, no deserto do Sinai, para um hospital militar, de onde será levado à prisão quando seu estado de saúde permitir.

Sua prisão preventiva em um centro hospitalar implica na obrigação de informar a justiça quando seu estado de saúde permitir que ele seja transferido para a prisão.

Mubarak deu entrada no hospital internacional de Sharm el-Sheikh na terça-feira, após sofrer um infarto quando passava por um interrogatório judicial. Na quarta-feira, o ex-presidente egípcio e seus dois filhos, Alaa e Gamal, foram detidos.

Segundo a imprensa local, os dois filhos do ex-líder estão detidos na prisão de Tora, nos arredores do Cairo. Mubarak, de 82 anos, está hospitalizado desde a noite de terça-feira, após ter sofrido problemas cardíacos durante um interrogatório. O estado de saúde de Mubarak, segundo a imprensa egípcia, é instável.

O ex-líder deixou o poder em 11 de fevereiro após um levante de 18 dias contra seu governo. O país vem sendo comandado por um conselho militar desde então. Dezenas de milhares de manifestantes vêm realizando protestos semanais na Praça Tahrir pedindo que o ex-presidente seja levado à Justiça.

Mubarak, sua esposa e seus filhos estão proibidos de deixar o Egito e os bens da família foram congelados, como parte das investigações. A morte de centenas de manifestantes durante os protestos que levaram à sua saída da Presidência também está sendo investigada.

*Com AFP

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