Ex-presidente do Egito vai a julgamento e se declara inocente

Em maca, Mubarak se defende das acusações de corrupção e morte de manifestantes; nova sessão é marcada para 15 de agosto

iG São Paulo |

O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak se declarou inocente das acusações de corrupção e de ter participação na morte de manifestantes durante a onda de protestos que o levaram a deixar o cargo em fevereiro. A declaração foi feita durante seu julgamento no Cairo, do qual participou deitado em uma maca - para delírio de opositores que se aglomeravam na entrada do tribunal.

"Sim, estou aqui", disse Mubarak, 83 anos, quando o juiz o pediu para que se identificasse. "Nego todas as acusações", completou. Um promotor leu as acusações contra Mubarak, de que ele foi cúmplice do "assassinato intencional e premeditado de manifestantes pacíficos" e de que ele e seus filhos - que também estão sendo julgados - receberam presentes de empresários em troca de favores.

A audiência durou mais de uma hora e terminou com a decisão do júri de marcar uma nova sessão para 15 de agosto. Até lá, a corte continuará o julgamento do ex-ministro do Interior Habib el-Adly e seis outras autoridades do governo Mubarak.

O júri determinou que o ex-presidente aguarde a nova audiência em um hospital militar próximo ao Cairo e seja examinado por um oncologista, no que foi considerado uma indicação de que o ex-líder realmente estaria sofrendo de câncer, como divulgado por seu advogado .

Mubarak permaneceu no poder por quase 30 anos e deixou o cargo em 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos populares contra o seu regime.

O ex-presidente estava hospitalizado na cidade de Sharm el-Sheikh desde abril e seus advogados afirmam que ele está muito doente, alegação que é vista com ceticismo por adversários de seu antigo governo. Mubarak foi transportado de avião de Sharm el-Sheikh para o Cairo e chegou ao tribunal de helicóptero.

Na porta do tribunal, partidários e opositores de Mubarak trocaram insultos e lançaram pedras uns contra os outros. Eles tiveram de ser contidos por forças de segurança em frente ao tribunal montado dentro da academia de polícia local.

O júri estava inicialmente marcado para ocorrer em um centro de convenções na capital egípcia, mas as autoridades mudaram o local do julgamento para um fórum temporário dentro da academia, devido a questões de segurança.

Cerca de três mil homens, entre soldados e policiais, foram convocados para manter a ordem no local do julgamento, que está sendo transmitido pela TV estatal.

Um forte esquema de segurança foi montado em toda a cidade. Relatos indicam que as forças de segurança deram tiros de advertência na Praça Tahrir, no centro da cidade, para dispersar manifestantes.

No último mês, novos protestos foram realizados na Praça Tahrir, por pessoas cansadas com o ritmo das mudanças no país, considerado lento. Entre as demandas dos manifestantes à junta militar que comanda o país, está o julgamento mais rápido de autoridades do antigo regime.

Com AP e BBC

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