Explosões deixam pelo menos 40 mortos na capital da Síria

Governo acusa Al-Qaeda, enquanto oposição diz que Assad 'fabrica' ataques para influenciar observadores da Liga Árabe

iG São Paulo |

A explosão de dois carros-bombas deixou 40 mortos e mais de 100 feridos na capital da Síria, Damasco, nesta sexta-feira. De acordo com autoridades militares, os ataques foram suicidas e tiveram como alvo instalações de segurança do governo, que enfrenta uma onda de protestos populares há nove meses.

Nenhum grupo assumiu responsabilidade pelos ataques, mas a TV estatal síria acusou a rede terrorista Al-Qaeda. Grupos da oposição, porém, disseram acreditar que o governo “fabricou” os atentados para influenciar observadores da Liga Árabe que começam uma missão no país nesta sexta-feira.

Leia também: Síria assina acordo que permite entrada de missão da Liga Árabe

AP
Imagem distribuída por agência síria mostra carro danificado em ataque em Damascosí

Segundo testemnhas, os atentados aconteceram no bairro de Kfar Suseh. Um automóvel tentou forçar sua entrada em um complexo de segurança do Estado e outro explodiu em frente a um edifício dos serviços de segurança na mesma região.

Os observadores da Liga Árabe vão avaliar a implantação de um plano de paz acordado entre o governo sírio e a Liga Árabe que busca o fim da crise política no país. O documento prevê a desmilitarização das cidades, a libertação de presos políticos e um diálogo entre governo e oposição.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a repressão aos protestos contra o presidente Bashar Al-Assad deixaram mais de cinco mil mortos desde março. Nos últimos meses, um crescente número de militares desertores passaram a combater contra as forças de segurança do governo.

A missão da Liga Árabe visita a Síria em um momento de escalada de violência. Na terça-feira, uma operação das forças de segurança da Síria deixou mais de 100 mortos na província de Idlib, em um dos episódios mais brutais desde que os protestos começaram.

Na quarta-feira, ativistas denunciaram a operação. “Foi um massacre organizado. As tropas cercaram a população e atiraram para matar”, disse Rami Abdul-Rahman, chefe do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede no Reino Unido.

Segundo ele, pelo menos 111 moradores foram mortos na terça-feira. Outro grupo de ativistas, conhecido como Comitê de Coordenação Local, também afirmou que mais de 100 foram mortos. Os números não podem ser confirmados de forma independente por causa das restrições ao trabalho da imprensa estrangeira, impostas pelo governo.

Na segunda-feira, ativistas disseram que operações das forças de segurança deixaram cerca de 100 mortos em todo o país. Com isso, o número total de vítimas seria cerca de 200 em apenas dois dias.

Com AP, Reuters, BBC e EFE

    Leia tudo sobre: síriaassadmundo árabeliga árabeprimavera árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG