Ataque suicida deixa mortos na Síria, diz TV estatal

Violência no país deixou cerca de 60 mortos entre explosão de bomba em Damasco e repressão a protestos contra o governo

iG São Paulo |

Um ataque suicida deixou mortos na capital da Síria, Damasco, nesta sexta-feira, segundo informou a TV estatal do país. De acordo com autoridades sírias, 10 mortes foram confirmadas, mas o governo afirma que o número de vítimas é de ao menos 26, com base na quantidade de restos mortais encontrados no local.

O atentado acontece duas semanas após explosões contra prédios de segurança que deixaram 44 mortos em Damasco. Na ocasião, grupos da oposição acusaram o governo do presidente Bashar Al-Assad de “fabricar” ataques para aumentar o temor da população em relação ao terrorismo e para influenciar os observadores da Liga Árabe que estão no país.

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AP
Carro danificado é visto em local de explosão em Midan, bairro central de Damasco, na Síria

De acordo com a emissora, o alvo do ataque desta sexta-feira foi um ônibus da polícia. Nenhum grupo assumiu responsabilidade pelo ataque, que deixou pelo menos 63 feridos.

O governo culpou "terroristas" pelo atentado, dizendo que um homem-bomba acionou os explosivos no populoso distrito de Midan. Mas a oposição do país pede uma investigação independente, acusando forças leais ao regime sírio de estar por trás da explosão para difamar o levante contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

"Existe qualquer coisa pior que esses crimes?", disse Majida Jomaa, uma dona-de-casa de 30 anos que correu pelas ruas após ouvir à explosão por volta das 11h do horário local (7h de Brasília). "Isso é liberdade?"

O homem-bomba "se explodiu com o objetivo de matar o maior número possível de pessoas", disse Mohammed Shaar, ministro do Interior. A mídia estatal disse que a maior parte dos mortos eram civis, mas forças de segurança também estavam entre eles.

Midan é um dos bairros de Damasco que tem sido palco de protestos contra Assad nas sextas-feiras desde que a revolta teve início, em março, inspiradas nos outros movimentos pelo mundo árabe .

Protestos

A violência marca um dramático aumento do derramamento de sangue na Síria, enquanto observadores da Liga Árabe visitam o país para investigar se o governo está cumprindo um acordo feito com o grupo para tentar parar com a violência. A missão de monitoramento irá emitir suas primeiras análises domingo, durante um encontro em Cairo.

Uma autoridade do governo sírio, que falou em condição de anonimato, disse que uma bomba menor explodiu nesta sexta-feira no subúrbio de Tal, em Damasco, matando uma menina.

Enquanto muitos dos protestos contra o governo tem continuado a ser pacíficos, a revolta como um todo ficou mais violenta nos últimos meses. Um número crescente de desertores do Exército vêm pegando em armas e lançado ataques, matando soldados e agentes da segurança.

Nesta sexta-feira, novos protestos tomaram conta do país, e as forças de segurança deixaram o menos 34 mortos, segundo os Comitês de Coordenação Locais, um grupo ativista. Segundo seus dados, nove manifestantes foram mortos em Hama, 14 nos subúrbios de Damasco, oito em Homs, três em Idlib e um em Deraa.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) disse que 50 mil manifestantes tomaram as ruas em Douma, subúrbio de Damasco, no maior protesto dos dia. Não é possível confirmar os números de forma independente, uma vez que a Síria proibiu a presença da maior parte dos jornalistas estrangeiros.

Os opositores sugerem que o próprio regime poderia estar por trás da violência para tentar corroer o apoio à revolta. Nem o regime ou a oposição têm evidências para apoiar suas acusações, e ninguém além das autoridades sírias tiveram acesso para investigar as explosões.

Um porta-voz do Conselho Nacional Sírio, grupo de oposição, pediu uma investigação independente. "É a continuidade do jogo sujo do regime enquanto tenta desviar as atenções dos protestos massivos."

Repercussão

O vice-secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed bin Helli, condenou o ataque dessa sexta-feira. "Nós estamos preocupados com essas explosões. É por isso que estamos pedindo ao governo da Síria para ser totalmente cooperativo com a missão e para trabalhar de todas as maneiras para parar o derramamento de sangue e permtir espaço para que o processo político comece."

Bin Helli disse que observadores terão uma segunda opinião sobre o ataque. "A missão que está no local sem dúvida terá uma opinião", disse.

Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland condenou o ataque, mas se negou a dizer quem os EUA acreditavam estar por trás da explosão. "O que é interessante aqui é que, como em ataques anteriores, o regime de Assad culpou quase todo mundo", Nuland afirmou. "Eles culpam a oposição, a Al-Qaeda. Eles culparam até os Estados Unidos. Enquanto isso, a oposição, incluindo o Exército Livre da Síria, negou ter realizado os ataques e acusou o regime sírio."

Liga Árabe

Na terça-feira, a agência estatal de notícias afirmou que “terroristas armados” tinham detonado explosivos em um gasoduto na cidade de Rastan, localizada na província de Homs, um dos principais redutos da oposição.

Ativistas acusaram o regime da Síria de enganar os observadores da Liga Árabe, levando-os para regiões que permanecem leais ao presidente, além de mudar as placas das ruas para confundí-los. Os ativistas também afirmaram que o governo enviou partidários do regime para bairros rebeldes para que dessem falsos testemunhos.

A Liga Árabe não fez nenhum comentário, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Jihad Makdissi, negou as alegações. "Nós não interferimos no trabalho da missão", disse Makdissi, acrescentando que o governo dá o respaldo necessário para proteger os observadores.

Ativistas afirmaram que os partidários de Assad estão pintando veículos militares de azul para que eles se assemelhem a veículos da polícia - uma estratégia que permite ao governo dizer que retirou o Exército de áreas populosas em respeito ao acordo com a Liga Árabe que pretendia acabar com a violência no país.

A ONU diz que a repressão aos protestos contra o governo já deixaram mais de 5 mil mortos desde março, a maioria civis. De acordo com os Comitês Locais de Coordenação, que reúnem vários grupos de ativistas, o número é maior: 5.862 mortos .

Com AP, AFP e Reuters

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