Ex-ministro do Interior egípcio é detido por corrupção

Habib El-Adly é acusado também de incentivar polícia a recorrer à violência contra manifestantes durante protestos

iG São Paulo |

Oficiais egípcios disseram, nesta quinta-feira, que foram detidos três ex-ministros e um magnata ligados ao ex-presidente Hosni Mubarak, sob acusações de lavagem de dinheiro e corrupção.

Habib El-Adly, ex-ministro do Interior que controlava cerca de 500 funcionários das forças de segurança egípcias, é acusadob também por ter incentivado policiais a recorrer à violência contra manifestantes em protestos que tiveram início no dia 25 de janeiro e levaram à renúncia de Mubarak no dia 11 de fevereiro.

AP
Foto de 25 de dezembro de 2010 mostra El-Adly (E) conversando com autoridades do governo de Hosni Mubarak, no Cairo, Egito
De acordo com oficiais, que falaram sob condição de anonimato, o ex-ministro foi detido nesta quinta-feira e ficará sob custódia por 15 dias.

A prisão de El-Adly ocorreu depois da detenção do magnata do aço Ahmad Ezz, e dos antigos responsáveis pelas pastas de Turismo, Zuheir Garana, e de Moradia, Ahmed al-Maghrabi. Eles eram ligados ao Partido Nacional Democrático, de Mubarak.

Ajuda

Nesta quinta-feira também, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que seu país oferecerá uma ajuda de US$ 150 milhões (cerca de R$ 249,7 milhões) para a transição política e ajudar na recuperação econômica do Egito.

Deposto após 18 dias de protestos que pediam a sua renúncia, o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak entregou o poder ao Exército, que descartou lançar um candidato nas eleições presidenciais de setembro, segundo informou nesta quinta-feira o major Mokhtaar Mullah. "Não haverá um candidato das forças militares", afirmou.

O porta-voz do Exército, general Ismail Eetman, também a reafirmou que os militares "não têm ambições para o futuro". "As Forças Armadas querem entregar o poder aos partidos civis quando estes estiverem suficientemente fortes para não desabar", disse.

Partido

Líderes da juventude egípcia começaram a formar um novo partido político nesta quinta-feira, enquanto a Irmandade Muçulmana exerce um papel cada vez mais importante na preparação das eleições pós-Mubarak, prometidas para dentro de seis meses.

A Irmandade Muçulmana tem um de seus membros no comitê constitucional, participa de um conselho criado por ativistas e já declarou que criará um partido político assim que as leis forem modificadas de modo a permitir que ela e outros grupos o façam.

O porta-voz da Irmandade apareceu na televisão estatal alguns dias atrás - a primeira vez que isso é feito pelo movimento islâmico posto na ilegalidade na era de Mubarak. A Irmandade é vista com desconfiança pelos Estados Unidos, mas é considerada o único bloco verdadeiramente organizado no Egito e calcula que poderia receber até 30% dos votos em uma eleição livre.

Líderes pró-democracia pretendem levar 1 milhão de pessoas às ruas na sexta-feira numa "Marcha da Vitória" para festejar a queda de Mubarak.

O Alto Comando Militar, que assumiu a direção do país após a queda de Hosni Mubarak, estava sendo pressionado nesta quinta-feira por ativistas que reivindicavam a soltura imediata de presos políticos e o fim do estado de emergência. Um comitê que inclui um membro da Irmandade, Sobhi Saleh, além de especialistas legais e constitucionais, iria reunir-se nesta quinta-feira, enquanto os militares desmontam os mecanismos que mantinham o governo autocrático de Mubarak. Saleh disse na quarta-feira que o conselho militar comprometeu-se a revogar as leis de emergência antes das eleições.

*Com Reuters, AP e AFP

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