Existem 'contatos' para que Kadafi deixe poder, diz França

Após informações de que Paris estaria negociando com líder líbio, chanceler relata que Kadafi tem emissários em todos os lugares

iG São Paulo |

AFP
O ministro de Relações Exterior da França, Alain Juppé, participa de coletiva em 7 de julho de 2011 na chancelaria francesa em Paris
Amplas discussões ocorrem com o objetivo de pôr fim à crise na Líbia e "emissários" dizem que Muamar Kaddafi está pronto para deixar o poder, disse o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, nesta terça-feira.

"Todos estão em contato com todos. O regime líbio está enviando mensageiros para todos os lugares, para a Turquia, Nova York, Paris", disse Juppé na rádio estatal France Info. "Emissários me dizem que Kadafi está pronto para sair. Conversaremos sobre isso", acrescentou sem informar quem são esses emissários.

O ministro da Defesa francês, Gerard Longuet, declarou no fim de semana que os rebeldes líbios deveriam iniciar negociações diretas com os aliados de Kadafi. Além disso, uma informação de que Paris estaria negociando com o líder líbio apontava a crescente inquietação da França com o impasse.

Autoridades francesas negaram qualquer mudança de posição na segunda-feira e disseram que Paris enviou meramente mensagens a Trípoli por meio de intermediários, o que deixa claro que o líder líbio tem de abandonar o poder e retirar suas tropas para permitir uma solução política.

"Existem contatos, mas não é uma verdadeira negociação neste momento", disse Juppé nesta terça.

A França participa da campanha aérea da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que opera com um mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) com o intuito de proteger civis. A França foi o primeiro país a lançar ataques aéreos contra tropas leais a Kadafi em março.

O chefe da diplomacia francesa reiterou que "a saída da crise passa pela saída de Kadafi do poder". Segundo Juppé, essa solução agora é assumida pela comunidade internacional, incluindo os países africanos antes reticentes: "A questão agora não é saber se Kadafi vai embora, mas como e quando."

Segundo o ministro francês, isso teria de se materializar com "um verdadeiro cessar-fogo", o recuo das tropas a seus quartéis e "uma declaração de Kadafi anunciando que renuncia". A partir daí, acrescentou, "o diálogo nacional tem de ser tão amplo quanto o possível" e incluir as diversas partes, até mesmo membros do regime atual.

Por fim, Juppé destacou que após quatro meses de intervenção internacional as tropas rebeldes "avançam", enquanto Kadafi "está debilitado". "As forças do Conselho Nacional de Transição progridem e estão perto de Trípoli", disse.

A Assembleia Nacional e o Senado da França aprovaram nesta terça-feira por maioria absoluta o prolongamento da intervenção militar do país na Líbia, além dos quatro meses previstos inicialmente pela Constituição.

Ao todo, 482 deputados da Assembleia se pronunciaram a favor da presença das Forças Armadas na Líbia, 27 se declararam contra e outros sete se abstiveram. No Senado, 311 votaram a favor e 24 contra.

O ministro da Defesa francês, Gérard Longuet, disse que, desde o início da ofensiva internacional na Líbia, a operação já custou à França 104 milhões de euros.

*Com Reuters e EFE

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