Exército sírio ocupa subúrbio perto de Damasco

Segundo testemunhas, tanques e soldados invadiram as ruas do bairro de Saqba, entrando em casas e prendendo opositores

iG São Paulo |

Testemunhas disseram que tropas sírias tomaram o bairro de Saqba, nos arredores da capital, Damasco, palco de protestos pacíficos contra o governo na semana passada. Centenas de tanques e soldados ocuparam as ruas durante a noite, entrando nas casas e prendendo opositores.

Jornalistas estrangeiros são proibidos de entrar na Síria, mas os relatos são de que, apesar da repressão, as manifestações contra o regime de Bashar al-Assad continuaram.

AFP
Protestos contrários ao governo de Bashar al-Assad em Banias, na Síria (04/05)

As cidades de Homs e Hama, ao norte da capital, também são palcos de manifestações. Tropas e tanques foram enviados para a cidade de Rastan, próxima a Homs, e cercaram Banias, na costa, perto de Hama.

Estima-se que a repressão às manifestações tenham deixado mais 500 mortos desde o dia 15 de março. O governo diz que quase 80 integrantes das forças de segurança foram mortos nesse período.

A polícia síria fez pelo menos 2,8 mil prisões em todo o país e grupos de direitos humanos alertam que o número pode ser maior.

Cidade sitiada

Deraa, cidade no sul no país onde começaram os protestos contra o governo, em meados de março, está sitiada desde o final de semana passado. Não é permitida a entrada ou saída de ninguém. Segundo moradores, estoques de alimentos e remédios estão acabando e as comunicações estão cortadas.

Nesta quinta-feira, uma fonte militar citada pela agência oficial síria Sana afirmou que o Exército está "prestes a finalizar suas funções em Deraa". A autoridade, que não quis ser identificada, disse que as forças de segurança "prenderam dezenas de terroristas", apreenderam armas e "alcançaram a maioria de seus objetivos".

Na terça-feira, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Mark Toner, afirmou que o uso de tanques, prisões arbitrárias e cortes na energia elétrica em Deraa são medidas "bárbaras e significam uma punição coletiva de civis inocentes".

A Síria é considerada um dos mais repressivos países árabes. Os protestos contra o governo são inspirados nos levantes populares que derrubaram os governos de Tunísia e Egito e deflagraram a crise na Líbia.

Com BBC e EFE

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