Exército sírio inicia ofensiva contra cidade tomada por opositores

Operações militares ocorrem em Jisr al-Shugour, onde 120 integrantes das forças de segurança foram supostamente mortos

BBC Brasil |

selo

O Exército da Síria deu início nesta sexta-feira a uma ofensiva na cidade de Jisr al-Shugour , reforçando os temores de que a violência que tomou conta do país nas últimas semanas se intensifique ainda mais. Segundo a TV estatal da Síria, as operações têm como finalidade capturar grupos armados na cidade e arredores. O órgão oficial afirmou que os grupos armados estão ateando fogo às lavouras e à mata local.

AFP
Reprodução de vídeo do YouTube mostra manifestantes antigoverno segurando faixa em que se lê 'A Síria é livre, e o traidor é aquele que mata seu povo' em Hasaka, Síria
O temor de violência foi crescendo nos últimos dias à medida que soldados e tanques do Exército ocupavam posições ao redor de Jisr al-Shugour. O governo sírio diz que 120 integrantes de forças de segurança foram mortos por grupos rebeldes nesta semana.

Os prospectos engrossaram o fluxo de pessoas tentando cruzar a fronteira da Síria com a Turquia. O ministro turco das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, disse na quinta-feira que mais de 2,4 mil pessoas entraram no país vindos da Síria.

Metade delas, acredita-se, chegou entre a noite de quarta-feira e a manhã de quinta-feira. Em entrevista à TV da Turquia, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, condenou a repressão do governo sírio e disse que as ações militares são "desumanas". Erdogan disse que discutiu o assunto com o presidente sírio, Bashar al-Assad, recentemente, mas alegou que a receptividade do vizinho foi "inadequada".

Diplomacia

Segundo defensores de direitos humanos, mais de 1 mil pessoas já foram mortas na Síria desde março, quando começaram os protestos contra o governo do presidente Assad. Esse número, porém, não pode ser confirmado de forma independente, já que a Síria proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros.

A escalada da violência na Síria levou a alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, a afirmar que o governo sírio está travando uma guerra contra seu próprio povo. Testemunhas disseram que o cerco a Jisr al-Shurgour envolveu cerca de 30 mil soldados e 13 ou 14 tanques.

No Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, uma proposta de resolução de França e Grã-Bretanha condenando a Síria foi recebida com frieza pela Rússia e a China. O texto condena a repressão do governo a manifestações pró-democracia, mas não prevê a autorização de qualquer tipo de ação concreta contra o governo sírio.

No entanto, alguns membros do Conselho de Segurança temem que a resolução seja o primeiro passo para uma intervenção na Síria, a exemplo do que ocorre na Líbia.

Contrário à resolução, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que a medida poderá aumentar ainda mais a tensão no Oriente Médio . “A última coisa que queremos ver ou fazer é contribuir para exacerbar as tensões no que consideramos ser uma das regiões mais tensas do mundo”, afirmou o ministro.

O porta-voz da chancelaria russa Alexander Lukashevich disse que Moscou seria contra tal resolução porque a situação na Síria não ameaça a paz e a segurança internacionais.

    Leia tudo sobre: síriamundo árabeprotestosBashar al-Assad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG