Exército sírio controla Jisr al-Shughour

Governo divulga que busca grupos terroristas, mas opositores dizem que casas estão sendo bombardeadas

iG São Paulo |

O Exército da Síria tomou neste domingo o controle de Jisr al-Shughour, ao noroeste de Damasco, onde segundo o governo estariam entrincheirados "grupos armados" que teriam causado a morte de 120 soldados de segurança há quase uma semana. A agência de notícias estatal "Sana" anunciou que as Forças Armadas ocuparam a região e que perseguiram "grupos terroristas armados" em áreas montanhosas próximas.

O anúncio foi feito após a morte de um soldado neste domingo e de outros quatro ficarem feridos em confrontos entre o Exército e esses "grupos armados", supostos responsáveis pelo massacre do dia 6, segundo a imprensa estatal síria. Além disso, dois membros das milícias armadas morreram neste domingo durante os choques, informou a televisão síria. As tropas entraram na cidade após desativar explosivos de dinamite que tinham sido instalados por grupos armados em pontes e estradas.

O avanço das Forças Armadas perto da fronteira com a Turquia começou na sexta-feira, coincidindo com uma nova jornada de repressão de protestos contra o regime de Al-Assad. Os opositores negam a existência de grupos armados e disseram que o ataque se deve à deserção de várias unidades do Exército que se uniram aos manifestantes. Um militante dos direitos humanos informou, por sua vez, que a cidade é palco de intensos bombardeios, feitos por pelo menos 200 tanques. Os opositores, testemunhas e desertores também contestam a versão oficial sobre o massacre em Yisr al Shugur e afirmam que os policiais foram mortos num motim.

Vala comum
Neste domingo, os meios de comunicação do regime sírio também revelaram a descoberta de uma vala comum com dez cadáveres de policiais e soldados dos corpos de segurança, a maioria decapitados, com marcas de bala e membros amputados. A "Sana" noticiou que a cova foi descoberta perante cerca de vinte jornalistas árabes e estrangeiros e responsabilizou os mesmos "grupos armados" pelas atrocidades cometidas.

Numa nota urgente, a televisão síria acrescentou que um alegado militante de um "grupo terrorista" confessou ter cometido a matança e enterrado os corpos.

Desertor
Em declarações à rede de televisão "Al Jazeera", o general sírio Hussein Harmush anunciou que decidiu renunciar em protesto pelas práticas dos militares e que passou a ser membro das chamadas Brigadas de Oficiais Livres, formadas por desertores das Forças Armadas. Harmush explicou que essas brigadas, que, segundo ele, conseguiram evacuar 91% dos moradores de Yisr al Shugur, foram criadas para defender os habitantes do povo e garantir o deslocamento de refugiados à Turquia. Além disso, Harmush indicou que o Exército utilizou hoje "tanques e foguetes para disparar contra casas nesta localidade" e que houve resistência por parte das Brigadas de Oficiais Livres.

Informações sem confirmação
Nenhuma dessas informações puderam ser confirmadas devido ao ferrenho controle das autoridades que expulsaram, prenderam, ameaçaram e torturaram vários jornalistas.

A violência na província de Idleb obrigou mais de 5 mil sírios a buscar refúgio na Turquia , enquanto que centenas mais esperam no outro lado da fronteira. Desde março, milhares de sírios pedem reformas políticas e a queda do regime, que por sua parte, acusa grupos armados e uma grande conspiração internacional de estarem por trás dos protestos. Pelo menos 1.289 civis e 336 soldados do Exército e da Polícia morreram desde o início das revoltas populares similares às realizadas no Egito, Tunísia, Líbia e Iêmen.

* Com informações da EFE e AFP

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