Exército sírio cerca subúrbio de Damasco em meio a protestos

De acordo com relatos de ativistas na internet, bairro teve a energia e linhas telefônicas cortadas

BBC Brasil |

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O Exército da Síria cercou nesta segunda-feira um subúrbio da capital do país, Damasco, em meio à intensificação dos protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad. Segundo testemunhas, foram ouvidos tiroteios na região e cortinas de fumaça preta podiam ser vistas sobre a área.

AFP
Partidário de Assad seguem funeral de policial sírio, morto na cidade de Homs, onde o governo lançou ofensiva contra opositores (08/05)
As forças de segurança sírias também continuaram com seus esforços para reprimir os protestos contra o governo na terceira maior cidade do país, Homs, na cidade costeira de Baniyas e no entorno de Deraa, no sul do país.

No domingo, houve relatos de tiroteios, prisões e mortes em Homs, incluindo a de um menino de 12 anos . A Síria não vem permitindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país, o que torna mais difícil a verificação independente das informações.

Artilharia pesada

Na manhã desta segunda-feira, relatos de grupos de ativistas pela internet afirmaram que o subúrbio de Muadhamiya, no oeste de Damasco, foi cercado por tropas do Exército. Segundo eles, tiros de artilharia pesada podiam ser ouvidos, e uma nuvem de fumaça preta cobria a região. A eletricidade e as linhas telefônicas também foram cortadas no bairro.

Enquanto isso, forças de segurança estariam se deslocando para Homs, ao norte de Damasco, onde soldados com tanques do Exército estariam fazendo buscas em casas e prendendo opositores desde a noite de sábado.

O Exército afirmou que suas operações contra "terroristas armados" continuam. Segundo o governo sírio, seis soldados e policiais foram mortos e outros ficaram feridos durante as operações em Homs, Baniyas e Deraa. Um morador de Homs, que pediu anonimato, disse à BBC: "Não podemos ficar por muito mais tempo enfrentando essas armas. Alguém do seu lado, de outros países, deveria fazer alguma coisa."

Prisões

O grupo Observatório Sírio para Direitos Humanos, com base na Grã-Bretanha, afirmou que centenas foram presos em Baniyas no domingo. Em Deraa, que está sob ocupação militar há duas semanas, moradores receberam a permissão de sair de suas casas por algumas horas para comprar suprimentos antes da imposição de um toque de recolher.

A TV estatal síria mostrou imagens de um micro-ônibus no qual dez trabalhadores sírios que voltavam do Líbano teriam morrido ao sofrer uma emboscada por atiradores na manhã do domingo. Segundo o correspondente da BBC em Beirute Jim Muir, manifestações contra o governo continuam acontecendo em várias partes do país apesar da repressão oficial.

Segundo grupos de defesa de direitos humanos, mais de 500 teriam sido mortos desde o início dos protestos, em março. As manifestações contra o governo, inspiradas pela onda de protestos pró-democracia no Oriente Médio , representam o mais sério desafio ao presidente Bashar al-Assad desde que ele assumiu o poder, em 2000, após a morte do pai, Hafez al-Assad.

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