Exército sírio bombardeia ponte que moradores usavam para fugir para Líbano

Forças leais a Assad atacaram Hirak, na província de Deraa; segundo Acnur, mais de 7 mil sírios fugiram para o país vizinho

iG São Paulo |

O Exército sírio executou um grande ataque contra a cidade de Hirak, na província de Deraa, e bombardeou uma ponte pela qual transita a maioria dos moradores que tentam fugir para o Líbano.

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A pressão militar, informada por grupos ativistas e opositores, acontece quatro dias antes da viagem a Damasco de Kofi Annan, emissário da ONU e da Liga Árabe, para negociar um cessar-fogo.

AP
Soldado desertor em área de conflito em Sarmin, no norte da Síria (28/2)
Durante a manhã, o Exército bombardeou na localidade de Rableh uma ponte usada pelos sírios em fuga para o Líbano, denunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). O bombardeio não provocou vítimas, mas inutilizou a ponte, que cruza o rio Orontes, perto da fronteira libanesa.

Segundo estimativas da ONU, o conflito na Síria fez com que se desclocassem cerca de 70 mil pessoas, sendo mais de 20 mil para os vizinhos Líbano, Turquia e Jordânia. Quase 2 mil sírios, em sua maioria mulheres e crianças, se refugiaram no Líbano desde o fim de semana passado, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Desde o início do levante contra o regime de Assad, cerca de 7.058 refugiados sírios foram registrados no Líbano, de acordo com a Acnur.

Moradores da cidade libanesa de Arsal, no norte do país, disseram que somente no domingo chegaram à região cerca de 150 famílias sírias. "O que podemos fazer? As pessoas estão sendo atacadas por tanques enquanto estão sentadas em suas casas", disse à Associated Press a síria Hassana Abu Firas, que se abrigou na cidade fronteiriça libanesa de Al-Qusair. "Os que podem fugir, fogem. Os que não podem, morrem sentados."

Além do bombardeio da ponte nesta terça-feira, o OSDH denunciou ainda um grande ataque das forças sírias contra a cidade de Hirak, berço da rebelião contra o regime de Assad no sul do país. Forças leais ao regime de Bashar al-Assad também reforçaram o cerco à localidade de Tibet al-Iman, na província de Hama.

Depois da tomada do bairro de Baba Amr , em Homs, na semana passada, as forças do regime intensificaram a pressão sobre os outros redutos do Exército Sírio Livre (que reúne desertores), particularmente em Rastan, a 20 km de Homs.

Avião

Nesta terça-feira, as autoridades sírias anunciaram que encontraram um avião de reconhecimento em uma fábrica de armas em Baba Amr, similar aos utilizados por Israel, assim como câmeras de vigilância, foguetes e obuses.

De acordo com a agência estatal Sana, também foram localizados túneis subterrâneos utilizados pelos terroristas.

Depois de Homs, a cidade de Rastan é submetida a um intenso bombardeio pelo Exército do regime de Assad. "O que está acontecendo em Rastan é idêntico ao que ocorreu em Baba Amr: bloqueio, tiros de artilharia e foguete", afirmou Hadi Abdallah, militante da Comissão Geral da Revolução Síria em Homs

Reformas

Também nesta terça-feira o presidente sírio voltou a prometer reformas e um combate ao terrorismo.

"O povo sírio, que no passado provocou o fracasso das conspirações estrangeiras (...) demonstrou novamente sua capacidade de defender a pátria e de construir uma nova Síria", disse Assad. "A Síria é alvo, como no passado, de tentativas de reduzir seu papel e de desestabilizá-la", afirmou Assad a uma delegação do Parlamento da Ucrânia.

No plano diplomático, o governo sírio continua sob intensa pressão. Nesta terça-feira, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta terça-feira a autorização imediata para a abertura de corredores humanitários para as populações civis vítimas da violência no país vizinho.

Os países ocidentais aproveitaram a vitória de Vladimir Putin na eleição presidencial de domingo para pedir que a Rússia modifique sua posição de apoio à Síria. A diplomacia russa, no entanto, argumentou que o novo projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU, que está sendo discutido em Nova York, "não é equilibrado".

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Rússia e China já vetaram duas resoluções de condenação à Síria, onde segundo a ONU a violência provocou a morte de 7,5 mil pessoas .

Além de Annan, a diretora de operações humanitárias da ONU, Valerie Amos, também viajará à Síria e disse que tentará obter um acesso "sem obstáculos".

A Cruz Vermelha Internacional continua negociando , pelo quinto dia consecutivo, a entrada de um comboio de ajuda urgente no bairro de Baba Amr, da cidade de Homs, tomado em 1º de março pelas forças de Assad.

*Com AFP, AP e BBC

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